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ESMAD - DM - Cinema e Fotografia

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  • A direção e a pós-produção de som como estrutura narrativa e paisagem sonora na curta-metragem Seja o que Eu Quiser
    Publication . Sousa, Francisco Bento de; Aly, Luís
    O presente ensaio analisa a direção e a pós-produção de som da curta-metragem Seja o que Eu quiser, partindo da ideia de que o som não acompanha apenas a imagem, participando ativamente na construção da narrativa, e procura compreender de que forma a direção de som, através da construção da paisagem sonora, contribui para a narrativa cinematográfica. O enquadramento teórico assenta em três autores: R. Murray Schafer, com o conceito de paisagem sonora; Michel Chion, com a relação áudio-visão e o fora de campo sonoro; e David Sonnenschein, com a dimensão sensorial e emocional da escuta. Do ponto de vista metodológico, a investigação desenvolve-se como um estudo de caso centrado no filme, articulando reflexão teórica e prática artística, e descreve todo o processo sonoro, do planeamento à entrega. A análise crítica de cenas concretas demonstra como as decisões de captação, edição e mistura participam na construção do espaço, na sua expansão para além do enquadramento e na relação do espectador com as personagens, confirmando o papel estruturante do som e da paisagem sonora na obra.
  • A edição e a montagem como prática criativa: estágio na produtora FILMESDAMENTE, Lda.
    Publication . Pereira, Inês de Lucena; Cortesão, Maria João
    O presente relatório centra-se na exposição do trabalho prático e teórico desenvolvido no âmbito do estágio curricular na produtora FILMESDAMENTE, Lda., com a duração de 600 horas , compreendidas entre 19 de novembro de 2025 e 25 de março de 2026. Apresentam-se os projetos integrados, com foco na contribuição pessoal em cada um destes. Dá-se igualmente destaque às aprendizagens retidas ao longo de cada etapa do percurso na entidade de acolhimento. A investigação teórica articula-se diretamente com a prática de maior relevância desenvolvida em contexto de estágio curricular, a montagem e edição, abordando-a não apenas enquanto processo técnico, mas como prática de construção criativa, marcada pela sensibilidade, intuição e perspetiva pessoal do editor. Esta investigação inicia-se através dos fundamentos históricos e teóricos da montagem, abordando autores, movimentos estéticos e conceitos fundamentais para a evolução desta prática, bem como sua reflexão no panorama contemporâneo. Paralelamente , procura-se estabelecer uma relação direta entre estes conceitos e a prática desenvolvida em estágio curricular, incluindo uma consideração sobre o papel da mulher na edição cinematográfica. Tem-se como principais referências teóricas autores clássicos como Pu dovkin, Dmytry k e Eisenstein, fundamentais para a compreensão histórica e conceptual da montagem cinematográfica. Paralelamente, autores contemporâneos como Murch, Pearlman, Chion e Nygard sustentam a reflexão da montagem enquanto prática criativa e intuitiva, como apoio às decisões e metodologias aplicadas ao longo da componente prática.
  • A poética da inércia no slow cinema
    Publication . Canônico, Amadeo Gouveia; Martins, Filipe
    A presente dissertação investiga a estética e a ontologia do chamado Slow Cinema, propondo uma recusa à definição deste fenómeno como uma mera antítese rítmica ao cinema comercial acelerado. O objetivo central é compreender esta vertente cinematográfica através dos conceitos de inércia, duração e esvaziamento do tempo dramático, enquadrando-a como uma evolução estrutural e perceptiva da linguagem audiovisual. A fundamentação teórica traça uma genealogia que parte do neorrealismo italiano, apoiando-se na fenomenologia de André Bazin sobre a contingência e o realismo, para desaguar na falência sensório-motor e na consequente emergência da "imagem-tempo" articulada por Gilles Deleuze. Este referencial é atualizado pelas revisões de Paul Schrader ao "estilo transcendental", estabelecendo que a lentidão não é um estado subjetivo, mas uma postura formal deliberada. Metodologicamente, a pesquisa articula esta base filosófica com a análise técnica do dispositivo cinematográfico, com foco particular na autonomia do plano-sequência e na pressão exercida pelo tempo no plano. Evidenciando que a inércia, longe de ser ausência de ação, é a matéria-prima para uma nova temporalidade narrativa e visual.
  • Desafios na produção de séries documentais: estágio na produtora MauMau Mia
    Publication . Gomes, Maria Leonor Lourenço; Ferreira, José Quinta
    O presente relatório de estágio analisa os processos de produção audiovisual televisiva no contexto das séries documentais, tomando como principal objeto de estudo a experiência desenvolvida na produtora portuguesa MauMau Mia Produções. Integrado no Mestrado em Cinema e Fotografia – Especialização em Cinema Documental e Experimental, o estágio permitiu uma aproximação prática às dinâmicas de produção televisiva, sobretudo no domínio das narrativas documentais seriadas. Ao longo do relatório, é desenvolvida uma reflexão crítica sobre os principais desafios logísticos, narrativos, éticos e organizacionais inerentes à produção audiovisual baseada no real. Numa primeira fase, o relatório estabelece uma distinção entre produção televisiva e produção cinematográfica. Apesar de partilharem técnicas audiovisuais semelhantes, a televisão caracteriza-se por uma lógica industrial assente na continuidade, serialização e necessidade de resposta rápida às exigências de grelha e audiência. Ao contrário do cinema, frequentemente associado à obra autónoma e fechada, a televisão desenvolve-se através de formatos contínuos e recorrentes, exigindo maior flexibilidade operacional e coordenação coletiva entre departamentos. O relatório sublinha a importância da pré-produção como etapa fundamental na organização de séries documentais. Esta fase não se limita à gestão logística, envolvendo igualmente pesquisa narrativa, planeamento editorial e definição de estratégias de acesso ao terreno. A identificação de localizações, autorizações, alojamentos, transportes e recursos técnicos condiciona diretamente a viabilidade da produção. Nas séries documentais, onde os acontecimentos dependem frequentemente da imprevisibilidade do real, o planeamento assume um carácter dinâmico, obrigando a constantes reajustamentos ao longo das filmagens. Outro dos eixos centrais da análise prende-se com a relação entre documentário e realidade. O relatório defende que o acesso ao real é sempre mediado por processos de negociação institucional, humana e ética. A produção documental depende da criação de relações de confiança entre equipa e protagonistas, bem como da obtenção de permissões que tornam possível a captação de determinados contextos e acontecimentos. Contudo, a realidade filmada nunca é apresentada de forma neutra. Através da montagem, do enquadramento, da captação sonora e das opções narrativas, o documentário constrói interpretações específicas do real, organizando a experiência do espectador. Aborda-se igualmente a gestão do território narrativo nas séries documentais. A serialidade televisiva exige controlo e coerência ao longo dos episódios, particularmente em produções baseadas em acontecimentos reais e sujeitos a constante transformação. Cabe à equipa editorial definir os elementos centrais da narrativa, evitando dispersão temática e assegurando continuidade estrutural. Neste contexto, a montagem desempenha um papel determinante, permitindo articular materiais dispersos numa narrativa coerente e emocionalmente consistente. A continuidade narrativa surge como um dos maiores desafios das produções documentais seriadas. Ao contrário da ficção, onde os acontecimentos são previamente planeados, o documentário depende da evolução imprevisível dos protagonistas e das circunstâncias filmadas. Assim, a construção da continuidade resulta da observação prolongada, da manutenção das relações estabelecidas com os participantes e da capacidade de identificar significado dramático em acontecimentos quotidianos. A coerência narrativa e visual é apresentada como essencial para garantir estabilidade editorial e reconhecimento por parte do público. O relatório dedica ainda especial atenção às questões éticas associadas à representação documental. A relação prolongada entre equipa e protagonistas implica responsabilidades acrescidas, sobretudo devido à exposição pública contínua das imagens produzidas. A ética documental é entendida como um processo permanente de negociação entre necessidades narrativas e respeito pela dignidade humana dos participantes. Alerta-se para o risco de transformar protagonistas reais em meros instrumentos dramáticos, defendendo a importância de preservar a complexidade e autenticidade das experiências representadas. Por fim, o estudo de caso da série documental De Gente & De Vinha, permite aplicar concretamente os conceitos discutidos ao longo do relatório. A série, centrada no universo vitivinícola português, revelou desafios relacionados com deslocações, condições meteorológicas e acompanhamento de protagonistas idosos. A experiência demonstrou a importância da capacidade de adaptação da equipa de produção perante imprevistos e reforçou o papel estruturante do departamento de produção na articulação entre exigências técnicas, construção narrativa e responsabilidade ética. Em síntese, o relatório conclui que a produção audiovisual televisiva baseada no real depende de uma articulação complexa entre planeamento, gestão narrativa, adaptação operacional e consciência ética, evidenciando o papel central da produção na concretização de séries documentais.
  • A pós-produção para além do contexto técnico: estágio na Filmesdamente
    Publication . Perdigão, Francisco Manuel Pinheiro; Ferreira, José Quinta
    No presente relatório, irei abordar a análise das atividades desenvolvidas no âmbito do estágio curricular do Mestrado em Cinema e Fotografia-Especialização em Cinema Documental e Experimental, bem como os objetivos que orientaram tanto a realização do estágio como a elaboração do presente relatório e uma reflexão sobre todos os conhecimentos adquiridos ao longo do estágio a decorrer na produtora FILMESDAMENTE. Ao colaborar com uma equipa experiente e especializada em cinema, curtas-metragens e conteúdos publicitários, foi possível aperfeiçoar os conhecimentos na prática de filmagem, iluminação e pós-produção. Durante três meses, foi possível colaborar em diversas fases da pós-produção audiovisual, centrando sobretudo na montagem e edição de conteúdos institucionais, promocionais e documentais. Com esta experiência foi possível aprofundar as competências técnicas e conceptuais a nível de pós-produção, bem como entender o processo da montagem enquanto elemento fundamental da estrutura da narrativa audiovisual.
  • O papel da montagem na criação de atmosferas oníricas no cinema: o caso da curta-metragem “Os Seres Cantarão”
    Publication . Fernande, Mariana de Oliveira; Lopes, Filipe
    O seguinte ensaio discute a montagem cinematográfica como elemento na construção de Atmosferas, aplicando ao contexto do projeto Os Seres Cantarão (2025). Atmosfera entende-se como um fenómeno subjetivo, resultante da relação entre obra e espectador. Nesse sentido, sabendo-se que a montagem organiza o tempo e o espaço, é possível afirmar que pode afetar a dimensão sensorial do espectador. Enquanto o espaço é delimitado por elementos concretos, como objetos e enquadramentos, o tempo é intangível, permitindo uma manipulação complexa deste. A montagem explora essa capacidade, controlando ritmos, promovendo continuidade ou provocando ruturas, de modo a influenciar não apenas a narrativa, mas a experiência sensorial e emocional do espectador. Esta função assume maior relevância no cinema pós-clássico, marcado por narrativas fragmentadas, suspensões e dilatações temporais, que ampliam a subjetividade e favorecem a criação de atmosferas densas e complexas. Filmes como Valerie and Her Week of Wonders (1970) e Picnic at Hanging Rock (1975) ilustram essa abordagem sensorial, utilizando manipulações temporais e visuais para intensificar a experiência subjetiva. No caso de Os Seres Cantarão (2025), essas reflexões ajudaram a compreender as escolhas de montagem voltadas para o tempo ambíguo e para a revelação das tensões emocionais entre personagens. Técnicas como dissolve, sobreposições e cortes sonoros foram usadas não apenas como recursos formais, mas como estratégias na tentativa de intensificar a atmosfera, manipular a perceção temporal e expandir a experiência do espectador consolidando a montagem como instrumento essencial na criação de sensações e afetos cinematográficos.
  • A memória como “Raiz”: o peso do cinema documental na materialização da biografia pessoal
    Publication . Pereira, Ângela Filipa Rodrigues; Baptista, Adriana
    A identidade é edificada em torno do conjunto de aprendizagens adquiridas ao longo do tempo, que vão desde informações básicas, como o próprio nome ou o de familiares, necessárias a longo prazo, até informações cuja pertinência é apenas provisória. A memória é um processo complexo, responsável pela retenção e acesso a esses conteúdos. Não se pode considerar fidedigna ou objetiva, pois está sujeita a fatores como interpretação, estado emocional ou estímulos externos, mas, ainda assim, contribui para a atribuição de significado aos elementos envolventes, tornando-se um dos pilares da existência humana. Na arte, a chave para a singularidade, conexão e imersividade é a expressão individual. Como tal, a identidade, e por consequência a memória, são basilares para a criação artística. O cinema, e em especial o cinema documental, pelo seu cariz autêntico, transcende o entretenimento. Atua como reflexo social, cultural e ideológico, podendo preocupar-se com transmitir uma mensagem, mas estando a mesma sempre sujeita ao enviesamento da perspetiva do realizador. É um organismo vivo de preservação, estando constantemente encarregue de analisar e representar arquivo para reconstruir o passado e de produzir novos registos, que levarão o presente para gerações futuras. Este projeto pretende iniciar uma reflexão sobre o papel do cinema documental na preservação identitária, coletiva e individual. Sendo a memória um elemento crucial para a noção de identidade, considera-se que é a base, ou a raiz, da materialização biográfica e da subsequente produção artística. Para apurar estas questões, foram realizadas entrevistas a especialistas nas áreas da memória e das artes, a par de revisão de literatura relevante sobre os temas salientados (e adjacentes). Foram igualmente analisados filmes (ficcionais e não-ficcionais) que tratassem a aplicação prática da memória como fonte narrativa. Finalmente, foi realizado um documentário, centrado numa única personagem, que dá voz a memórias geracionais e representa uma comunidade.
  • O papel da realização na adaptação cinematográfica: realização em O Egotista
    Publication . Horta, Alice Manuel Carvalho Morim Poças; Pinheiro, José Alberto
    No cinema podemos encontrar imensas histórias originais, no entanto seu número é superado pelas adaptações cinematográficas. Esta procura por histórias noutros meios dá-se desde o início da sétima arte e, numa época marcada por remakes, sequelas, e novas adaptações, é importante estudar a relação entre cinema e material original. Assim, o presente ensaio tem como objetivos o estudo da relação entre o cinema e a literatura, focando-se no papel da realização e na obra autor americano F. Scott Fitzgerald, e o relato do desenvolvimento da curta-metragem O Egotista, que adapta excertos do livro This Side of Paradise.
  • De Corpo e Alma: o cinema em movimento e a subjetividade dos elementos narrativos
    Publication . Machado, Beatriz Pereira; Pinheiro, José Alberto
    O fenómeno de Fátima deve ser compreendido para além de apenas uma manifestação religiosa popular. Foi um elemento fundamental no contexto de guerra, conflito político e transformação cultural em Portugal. As aparições aos três pastorinhos, a 1917, pela Nossa Senhora de Fátima, dividiram opiniões entre crentes e céticos, mas rapidamente se tornaram num símbolo nacional e internacional da vivência católica contemporânea e como espaço de convergência espiritual e social. O documentário pretende traduzir o poder desse fenómeno e acompanhar o percurso íntimo e simbólico do peregrino, aquele que acredita em algo superior a nós próprios, aquele que procura respostas. Por vezes essas respostas surgem em forma de sensações e experiências que apenas os que caminham parecem entender. “De Corpo e Alma” promete refletir, através da experiência de um grupo de peregrinos de Santo Tirso, sobre o significado universal da fé e de que forma é que ela os motiva a completar o desafio a que se propõe. O seu percurso espelha o de milhares de peregrinos que se submetem ao mesmo esforço físico e processo de transformação íntima. É nessa passagem do individual para o coletivo, do local para o universal, que o documentário procura focar. Um processo que incluiu um método de investigação, nomeadamente sobre a história de Fátima e os seus milagres, assim como entrevistas a peregrinos, membros da organização e uma psicóloga. Este documentário conclui que a peregrinação é muito mais do que apenas a chegada, é um caminho que transforma a nível intelectual e emocional. Cada passo representa a força que depositamos em algo que não é palpável, não é material, não é visível se quer. E que pode ser tanto ou mais poderoso.
  • Inner Landscapes: illusion and reality through photography
    Publication . Chornodid, Hanna; Leal, João; Alves, Cesário
    "Paisagens Interiores: ilusão e realidade através da fotografia" é um projeto dedicado à interpretação, por meio da fotografia, das experiências interiores no contexto da perda de uma realidade estável. O ponto de partida foi a experiência pessoal de migração e de viver entre dois países, acompanhada pela perda do lar e a ruptura com o modo de vida anterior. Nessas circunstâncias, a fotografia torna-se uma prática meditativa e um meio de registar perceções subjetivas — estados, memórias e respostas emocionais. O projeto investiga como a memória pessoal, as associações e as sensações visuais moldam uma nova sensibilidade à realidade, que deixa de ser percebida como coesa e estável. Por meio de experimentações com Polaroid e técnicas como dupla exposição, reflexos, transferência de emulsão de Polaroid e cianotipia, são criadas imagens que expressam estados emocionais e mentais. A linguagem visual do projeto remete para a estética da filosofia wabi-sabi, que valoriza o efêmero, o imperfeito e o incompleto. Paralelamente à componente visual, o projeto inclui uma investigação teórica sobre a abordagens filosóficas e artísticas da perceção da realidade. O projeto é uma tentativa de capturar o vestígio visual da paisagem interior — um espaço onde a história pessoal, a memória e o presente se fundem em imagens que expressam a fragilidade e a complexidade da experiência contemporânea. Ilusão e realidade entrelaçam-se nesse contexto: as memórias tornam-se tão significativas quanto os acontecimentos reais, e a imagem visual transforma-se numa forma de existência daquilo que escapa à fixação literal.