REPOSITÓRIO P.PORTO
Repositório Científico do Politécnico do Porto
Entradas recentes
Atividade física na gravidez: impacto na (In)continência Urinária
Publication . Martins, Luana Alves
A incontinência urinária (IU) é uma condição prevalente durante a gravidez, associada a alterações fisiológicas que comprometem o pavimento pélvico, impactando a qualidade de vida (QdV). Este estudo avaliou a associação entre níveis e tipos de atividade física (AF) e a presença, severidade, frequência e impacto dos sintomas de IU em grávidas, relacionando-os com dados obstétricos. Estudo observacional analítico transversal, com 141 grávidas (˃18 anos), recrutadas em centros de saúde de Portugal. Foram utilizados o Pregnancy Physical Activity Questionnaire (PPAQ) para medir AF, e o International Consultation on Incontinence Questionnaire – Short Form (ICIQ-SF) para avaliar IU, com análie descritiva e inferencial. A prevalência de IU foi 41,8%, predominantemente leve a moderada (score médio ICIQ-SF 3,07±4,12), com impacto na QdV em 42% das participantes (16,3% moderado a severo). Os níveis totais de AF foram 213,3 METs.h.wk-1, dominados por atividades sedentárias (53,4%) e domésticas (51,2%). Não houve correlação significativa entre AF total e IU, mas foi observada uma associação negativa fraca para “deslocações ativas” (r=-0,270, o=0,009). A análise por IMC mostrou tendências nos padrões de AF, com maiores níveis em grávidas mormoponderais sem IU. A IU tem maior impacto subjetivo na QdV do que o sugerido pela avaliação da severidade clínica. Atividades funcionais, como deslocações ativas, apresentam potencial efeito protetor, enquanto a baixa adesão a exercícios estruturados reforça a necessidade de estratégias personalizadas para promoção da AF.
Adaptações do músculo esquelético ao treino de baixa intensidade com restrição do fluxo sanguíneo: uma revisão sistemática
Publication . Coimbra, Jordana Maryeli Silva; Torres, Rui Manuel Tomé; Carvalho, Paulo José Medeiros de; Figueiredo, Isacc Newton de Abreu
O treino com restrição do fluxo sanguíneo (BFRT) tem demonstrado eficácia na promoção de adaptações musculares com cargas reduzidas, configurando-se como alternativa ao treino tradicional de alta intensidade, sobretudo em indivíduos com limitações funcionais ou na reabilitação. No entanto, os efeitos sistémicos permanecem menos esclarecidos. O objetivo desta revisão sistemática foi analisar os efeitos locais e sistémicos do BFRT de baixa intensidade sobre o músculo-esquelético em adultos. A pesquisa foi realizada entre maio e junho de 2025 nas bases PubMed, ScienceDirect, MEDLINE, PEDro e Web of Science, incluindo artigos publicados entre janeiro de 2021 e junho de 2025. Foram selecionados 12 ensaios clínicos randomizados, envolvendo adultos saudáveis, atletas e pacientes em reabilitação. Em 10 estudos, o BFRT promoveu ganhos significativos de força, hipertrofia e resistência muscular, comparáveis ou superiores ao treino convencional. Cinco estudos analisaram desfechos sistémicos, reportando ativações neuromusculares, alterações hormonais e respostas moleculares, ainda que com evidência heterogénea. Concluiu-se que o BFRT é uma estratégia promissora para induzir adaptações músculo-esqueléticas, especialmente quando o treino com cargas elevadas está contraindicado. Contudo, a heterogeneidade dos protocolos e a escassez de estudos longitudinais limitam generalização dos resultados, reforçando a necessidade de investigações metodologicamente mais robustas.
Comportamento do centro de pressão durante a realização do gesto de alcance em bebés com e sem plagiocefalia – Estudo observacional transversal
Publication . Soares, Joana Gonçalves Rocha; Silva, Cláudia; Ferreira, Joana; Pereira, Soraia
A presença de deformidades cranianas em idades precoces tem sido frequente nos últimos anos, contudo a literatura não explana qual a relação destas e o controlo postural. Posto isto, o presente estudo tem como principal objetivo compreender relação entre a presença de deformidades cranianas e o comportamento do controlo postural em bebés de 4 e 6 meses. Foi ainda objetivo, estudar a relação entre as deformidades cranianas e o desenvolvimento sensoriomotor, avaliado através da Escala Motora Infantil de Alberta. Estudo analítico observacional transversal, no qual se recorreu à análise do comportamento do centro de pressão em 22 bebés (7 com deformidades cranianas e 15 sem deformidades cranianas), entre os 4 e os 6 meses de idade, durante a realização do gesto de alcance em decúbito dorsal. Os dados foram recolhidos com recurso a uma plataforma de forças e ao sistema de aquisição de imagem Qualisys. Foram analisadas variáveis do comportamento do centro de pressão (CoP), especificamente valores máximos pico a pico, valores médios pico a pico, desvio padrão, root mean square, área total, distância média do deslocamento e velocidade média, nas direções cefalocaudal e mediolateral. Utilizou-se, ainda, dois instrumentos de avaliação: Escala de Severidade da Plagiocefalia de Atlanta e Escala Motora Infantil de Alberta (EMIA). Todas as variáveis foram estatisticamente tratadas pelo software Statistical Package For The Social Sciences versão 29, assumindo-se um intervalo de confiança de 95% e um nível de significância de α=0,05. Todas as variáveis apresentaram valores superiores no grupo de crianças com deformidades cranianas comparativamente com o grupo sem deformidades cranianas : observaram-se diferenças significativas entre os grupos, nas variáveis Root Mean Square na direção mediolateral e Desvio-Padrão na direção mediolateral (p=0,039 e p=0,039, respetivamente). O grupo de bebés sem deformidade evidenciou um score da EMIA significativamente superior ao grupo com deformidade (p< 0,001). Este estudo permitiu concluir que parece existir uma relação entre a presença de deformidades cranianas em bebés de 4 e 6 meses e o comportamento do CoP, expresso por mecanismos menos eficientes, bem como em relação ao desenvolvimento sensóriomotor.
Prevalência da disfunção sexual e o seu impacto na qualidade de vida em mulheres com cancro da mama: um estudo transversal
Publication . Matias, Joana Filipa Pereira; Duarte, Nuno; Santos, Paula Clara; Antunes, Andreia
O cancro da mama apresenta uma elevada prevalência e incidência a nível mundial. A disfunção sexual parece ser prevalente em mulheres que realizaram cirurgia e terapias oncológicas, podendo estas afetarem a qualidade de vida. Analisar a prevalência de disfunção sexual em mulheres com cancro da mama e investigar a sua relação com características sociodemográficas, clínicas e com a qualidade de vida. Estudo transversal realizado em 116mulheres com diagnóstico de cancro da mama submetidas a cirurgia. Foram aplicados um questionário sociodemográfico e clínico, e os instrumentos FSFI-6, EORTC QLQ-C30 e QLQ-BR23. Foi utilizado um nível de confiança de 95%. Observou-se uma elevada prevalência de disfunção sexual (74,1%). Uma idade significativamente superior nas pessoas com disfunção (p˂0,001) e uma associação significativa com o nível de escolaridade (p˂0,001) foram observadas nestas mulheres. Verificou-se também que o grupo com disfunção sexual apresentou valores significativamente inferiores em termos de qualidade de vida através do QLQ-C30 e BR23 (p˂0,05). A disfunção sexual é muito frequente em mulheres com cancro da mama, especialmente em mulheres com mais idade e com níveis de escolaridade mais baixos. A disfunção sexual encontra-se associada a piores indicadores de qualidade de vida.
Tradução e adaptação cultural da International Fitness Scale, para sobreviventes de AVC em Portugal
Publication . Brandão, Joana Filipa Ferreira; Cunha, Christine; Pinheiro, Ana Rita
O acidente vascular cerebral (AVC) representa uma das principais causas de mortalidade e constitui a principal causa de incapacidade permanente em Portugal. Estima-se que cerca de metade dos sobreviventes apresente algum grau de limitação funcional e entre 20% e 30% sofra de incapacidade grave, implicando necessidades prolongadas de reabilitação e apoio social. O aumento da longevidade desta população acentua a relevância de identificar e monitorizar as múltiplas comorbilidades, físicas e psicológicas, que condicionam a qualidade de vida relacionada com a saúde e a participação social. A aptidão física emerge, assim, como um determinante essencial no processo de reabilitação pós-AVC e na prevenção secundária de novos episódios. Proceder à tradução e adaptação cultural da International Fitness Scale (IFIS) para a população portuguesa, direcionada a sobreviventes de AVC, garantindo a equivalência linguística, semântica e conceptual com a versão original. O presente estudo caracteriza-se como observacional, analítico e transversal, de natureza metodológica, tendo como objetivo a tradução e adaptação cultural da International Fitness Scale (IFIS) para a população portuguesa, em sobreviventes de AVC. A versão traduzida da escala foi analisada por um painel de quinze peritos, incluindo sobreviventes de AVC e profissionais de saúde com experiência em reabilitação pós-AVC, como fisioterapeutas e terapeutas da fala, com o intuito de avaliar os itens quanto à sua relevância, clareza e adequação. A escala IFIS apresentou validade de conteúdo, com a maioria dos itens avaliada pelos peritos como clara e relevante nas perguntas, clara e adequada nas respostas. Recomenda-se a reformulação da pergunta 1, devido à sua pouca “clareza” (na compreensão do que é a aptidão física), de modo a otimizar a consistência interpretativa e a concordância entre avaliadores. A International Fitness Scale foi objeto de tradução e adaptação cultural para a população portuguesa, resultando na versão denominada Escala Internacional de Aptidão Física.
