REPOSITÓRIO P.PORTO
Repositório Científico do Politécnico do Porto
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A ilustração no redesenho da identidade visual: o caso Combi Coffee Roasters
Publication . Lopes, Andreia Ferreira; Coelho, Rita
Esta investigação parte da identificação de uma lacuna no campo do design gráfico: a ausência de estudos que articulem a teoria da ilustração, os princípios da identidade visual e a estratégia de packaging no contexto do café de especialidade. O projeto centra-se no desenvolvimento de uma proposta de redesenho da identidade visual para a marca Combi Coffee Roasters, uma das marcas pioneiras na disseminação da cultura do café de especialidade no Porto, fundada em 2014. Esta marca serve simultaneamente de caso de estudo e laboratório experimental para explorar o potencial estratégico da ilustração enquanto linguagem central de uma identidade visual.
A investigação procurou demonstrar de que forma a ilustração, em particular os universos ilustrativos enquanto sistemas visuais coerentes, expressivos e expansíveis, pode potenciar e humanizar a identidade de uma marca. Neste enquadramento, a linha surge como elemento morfológico e expressivo central, com a capacidade de traduzir
personalidade, autenticidade e a narrativa da marca.
A metodologia adotada assenta nos princípios de investigação visual delineados por Noble e Bestley (2016), unindo investigação através da prática com métodos de natureza qualitativa. O processo integrou revisão de literatura sobre identidade visual, ilustração e packaging; observação in loco nos espaços Combi Coffee Roasters; entrevista ao fundador da marca e a especialistas nestas áreas de investigação. De forma complementar, foram inquiridas 110 pessoas sobre os hábitos de consumo de café de especialidade e a perceção da ilustração nas identidades visuais deste setor.
A proposta desenvolvida abrange a criação de um sistema ilustrativo aplicado à identidade visual, ao packaging a outros suportes de comunicação da marca. O conceito central assenta na ideia de viagem e origem: cada packaging transporta o consumidor até ao território de proveniência do café (El Salvador, Uganda, Brasil, Etiópia e Quénia), celebrando o terroir e tornando imediata a identificação do local de origem. A inspiração para o universo ilustrativo nasceu também da observação direta dos espaços físicos da Combi e das atividades inerentes ao processo de torra, cujos ritmos, texturas e gestos se traduziram numa linguagem de linha gestual e orgânica que percorre toda a identidade.
Os resultados evidenciam que a ilustração, quando aplicada de forma estratégica e sistémica, vai além da função estética para se afirmar como ferramenta de diferenciação, storytelling e humanização da marca. A investigação contribui para o conhecimento académico na área do design gráfico, demonstrando o potencial transformador de um universo ilustrativo estruturado na construção de marcas memoráveis, humanas e culturalmente responsáveis.
A construção de vínculos emocionais: perceção visual e a criança personagem na curta-metragem Seja o que Eu quiser
Publication . Pires, Matias João da Mata; Azevedo, Pedro
O presente ensaio analisa de que forma a construção de uma linguagem visual naturalista pode contribuir para a criação de vínculos emocionais entre o espectador e a personagem infantil, tomando como objeto de estudo a curta-metragem Seja o que Eu quiser, realizada no âmbito do Mestrado em Cinema, especialização em Cinema de
Ficção.
Partindo da constatação de que uma criança perceciona e interpreta o mundo de forma distinta, o trabalho procura compreender de que modo pode um diretor de fotografia trabalhar para facilitar essa aproximação emocional. Desenvolve-se então, uma reflexão teórica em torno de conceitos como o naturalismo cinematográfico, a relação emocional entre público e personagem e a construção de uma perspetiva infantil no cinema. O enquadramento teórico é também complementado pela análise de obras e autores cujas abordagens influenciaram a conceção estética e narrativa do projeto.
É apresentado o processo de conceção, preparação e execução da direção de fotografia da curta-metragem e também a uma análise crítica dessas decisões, identificando os desafios técnicos e criativos encontrados ao longo do projeto e avaliando o seu impacto na construção da narrativa.
Os resultados permitiram verificar que a procura por uma abordagem naturalista não implica propriamente a reprodução integral e fiel das condições reais do mundo, mas antes de uma seleção criteriosa dos elementos capazes de reforçar a credibilidade emocional de cada narrativa. Conclui-se, assim, que a definição de princípios visuais consistentes e a articulação entre as diferentes áreas criativas constituem fatores fundamentais para a construção de uma linguagem cinematográfica capaz de aproximar o espectador da experiência subjetiva da criança.
Interseções entre música e imagem: estágio curricular na Lovers & Lollypops
Publication . Vieira, Maria Francisca Cabral Pinto; Leal, João
As práticas fotográficas no contexto da música alternativa constituíram o eixo central do estágio curricular realizado na Lovers & Lollypops, no âmbito do Mestrado em
Cinema e Fotografia, com Especialização em Fotografia. Durante o período de estágio, foram desenvolvidas diversas atividades relacionadas com a captação de imagem em
concertos, eventos culturais, bastidores e outras iniciativas promovidas pela editora, bem como a produção de conteúdos visuais destinados à comunicação digital.
Para além das tarefas atribuídas pela entidade de acolhimento, o estágio integrou um processo contínuo de reflexão crítica sobre a fotografia enquanto instrumento de tradução visual da performance musical e da experiência sonora. Esta reflexão orientou o desenvolvimento das práticas fotográficas focadas na observação do espaço performativo, na presença do artista e na relação entre palco, público e ambiente circundante.
Com o objetivo de fundamentar teoricamente a prática desenvolvida durante o estágio, realizou-se uma investigação centrada na fotografia de espetáculo, no retrato e
na performance musical. Esta investigação articulou referências históricas e contemporâneas, tanto a nível nacional como internacional, permitindo compreender de
que forma a imagem contribui para a construção da identidade do músico e para a preservação da memória do músico ao vivo. Foram também exploradas questões
relacionadas com a mediação cultural e com o papel da comunicação visual no contexto da música independente.
Após a execução das tarefas previstas, procedeu-se à consolidação de um corpo de trabalho que reflete criticamente as decisões técnicas, estéticas e metodológicas
adotadas ao longo do estágio. O presente relatório descreve e analisa o percurso desenvolvido, evidenciando a articulação entre a prática profissional e a reflexão teórica,
bem como o contributo do estágio para o aprofundamento das competências fotográficas e para a compreensão do papel da imagem na performance musical
contemporânea.
Máscaras do invisível: um retrato da realidade
Publication . Alves, Ana Maria Gonçalves; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina; Baptista, Adriana
A fotografia contemporânea, enquanto prática artística e meio de comunicação, tem evoluído ao longo do tempo e a sua função tradicional de documentar a realidade está longe ser a única dimensão. Com Susan Sontag, John Berger e Merleau-Ponty, o papel da fotografia é problematizado enquanto documento e símbolo ao analisar a sua capacidade de questionar o visível e o invisível. Ao destacar a complexidade da experiência humana, a obra fotográfica propõe um olhar crítico sobre a construção da identidade e a representação da realidade na fotografia. Ao assumir um papel importante, no que toca a questões identitárias, subjetivas e sociais, a fotografia permite explorar a interação entre o visível e o invisível, o individual e o coletivo. Este carácter ambíguo, reforça a noção de que a imagem não reflete apenas o mundo, mas constrói-o a partir de perceções e intenções
de quem está por detrás da lente, adotando uma abordagem narrativa participativa, tal como Lee Jeffries e Mário Macilau. A máscara, como é possível ver em certas fotografias concetuais de Gillian Wearing onde o retrato problematiza a identidade, enquanto elemento central da composição atua como catacrese das múltiplas camadas de identidade, ao revelar e ocultar significados. Neste projeto, através da sobreposição de camadas fotográficas, evoca-se a dualidade entre o real e simbólico, desafiando o olhar do espectador. A combinação de técnicas digitais e analógicas, reforça a tensão entre materialidade e imaterialidade, memória e efemeridade.
Agora, com interferência
Publication . Freitas, Juliana; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, Cristina
A recusa de uma visão totalizante implica afastar a ideia de que o mundo precisa de ser plenamente explicado (Sontag, 1966). A fotografia surge como uma forma de estudar o real por fragmentos, aceitando que aquilo que se vê é sempre parcial, provisório e incompleto, pelo que se afigura importante uma discussão filosófica entre ser e parecer, isotópico e distópico, mimético e irreal. Num presente marcado pela velocidade e pela acumulação constante de imagens, o banal torna-se um espaço onde memórias, restos e aproximações temporais se sobrepõem. Entre o que é encontrado ao acaso e o que é guardado ao longo do tempo, desenvolve-se uma prática baseada na deambulação, na recolha e na reativação de imagens (Kessels, 2015). Fotografias produzidas no quotidiano convivem com arquivos vernaculares adquiridos em feiras e antiquários criando um campo onde diferentes materialidades coexistem.
Guardar, comprar, arquivar e reorganizar tornam-se gestos tão importantes quanto fotografar (Kessels, 2015). As imagens não são fixadas imediatamente num sentido, deixando-as em suspensão, regressando à edição em momentos distintos, permitindo que novas relações surjam através da comparação e da montagem. O “agora” aparece como um território contaminado por outras temporalidades (Groys, 2009) onde postais e outros materiais distintos funcionam como máquinas do tempo que apenas se movem em direção a um presente inconstante.
Assim, as imagens deixam de contar uma história linear e passam a construir um lugar; um espaço flutuante onde o tempo permanece aberto e o olhar permite demorar-se.
