ESMAE - DM - Artes Cénicas
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Recent Submissions
- Relatório de estágio Quarteto ContratempusPublication . Rocha, João Pedro Fontes da; Castro, Regina Maria de Carvalho Menezes e; Baptista, Marta Monteiro de MouraO presente relatório descreve e analisa o estágio curricular realizado no Quarteto Contratempus, no âmbito do Mestrado em Artes Cénicas – vertente de Direção de Cena e Produção, da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) do Politécnico do Porto. O estágio decorreu entre outubro de 2023 e março de 2025 e permitiu uma imersão prática no contexto da criação, produção e mediação de ópera contemporânea, com particular enfoque na ópera de câmara multimédia. Ao longo do estágio integrou a equipa da companhia em diversas funções, desde a preparação de digressões e apoio à produção técnica, até ao apoio à gestão de figurinos, bilheteira, comunicação e divulgação em redes sociais. Paralelamente, acompanhou a conceção de novos projetos como o FIATO – Festival Internacional de Ópera do Porto, e participou no laboratório criativo Contrapartituras – Música em Cena. Como complemento, prático e analítico, mas fora do estágio no QC, foi desenvolvido um inquérito direcionado ao público, com o objetivo de recolher dados sobre hábitos culturais, consumo de conteúdos em redes sociais e perceções em torno da ópera de câmara. A análise dos resultados reforçou a importância da comunicação digital como ferramenta estratégica na aproximação a novos públicos e na desmistificação da ópera como linguagem artística. Este relatório combina a descrição prática das atividades com uma reflexão crítica, pessoal, sobre os processos de produção e direção de cena no contexto contemporâneo, evidenciando as competências adquiridas. O estágio permitiu consolidar uma compreensão integrada das exigências do setor cultural e reforçou a importância da articulação entre pensamento artístico, gestão eficiente e estratégias de mediação cultural.
- Sa(n)tã – não quero esquecerPublication . Fangueiro, Neusa Maria da Silva; Binyon, Claire MargaretA presente monografia revela o processo da criação teatral denominada de “Sa(n)tã – uma vida em delírio ou a tentativa de não esquecer”. Analisa o lugar da mulher no teatro, e como a performance e os estudos de género alteraram o paradigma artístico, e de que modo isso influenciou a minha perspetiva enquanto criadora e interprete. O tema inicial partiu de inquietações pessoais sobre a minha posição enquanto mulher na sociedade – mãe, filha, atriz com surdez –, com interrogações de identidade, as influências culturais e religiosas, e a transformação do corpo nos últimos anos. Posteriormente, a pesquisa funde dois objetos de estudo artístico que se mostraram relacionados: a dualidade entre santa e satã e a experiência do envelhecimento, tendo como ponto de partida um coletivo de memórias de mulheres entre os 60 e os 98 anos, construindo assim uma narrativa político-poética que desafia as normas sociais e os estereótipos. Pretende, deste modo, gerar discussão e debate sobre o papel da mulher na sociedade, destacando histórias recolhidas de resistência e sucesso e, estimular a reflexão crítica sobre questões existenciais, éticas e religiosas através da expressão artística teatral. Demonstra, ainda, a relevância do devising theatre e do teatro do real, como referências metodológicas em criação teatral.
- Voz é corpo em performance: contributos da semiótica da canção para a atuação cénica para intérpretes de música popular brasileiraPublication . Nogueira, Anahi Clara Santos; Vicente, Maria Inês Areal Rothes Marques; Pereira, Bruno Alexandre BernardinoA presente investigação debruça-se sobre a formação cénica de cantores de música popular, explorando a articulação entre os estudos de Valéria L. Braga sobre os Aspectos Indicadores da Atuação Corporal e Cénica do Cantor Popular e a Semiótica da Canção proposta por Luiz Tatit. Partindo de uma inquietação pessoal e profissional, este trabalho procura responder a questões fundamentais sobre a integração dos conhecimentos teatrais na prática vocal, o aprimoramento da expressividade em palco e a construção de uma metodologia específica para a formação cénica de intérpretes da música popular. Para tal, desenvolveu-se uma abordagem prática através da implementação de Laboratórios de Atuação Cénica para Cantores de Música Popular, estruturados em cinco encontros abertos ao público. Estes laboratórios permitiram testar e refinar uma proposta metodológica que considera a canção como matéria-prima da cena, explorando as articulações entre corpo, voz, presença, teatralidade e dramaturgia. Como resultado, foi elaborado um roteiro de análise da canção popular para construção performativa, oferecendo um mapeamento possível para o aprofundamento das camadas expressivas da canção e sua transposição para a cena. Conclui-se que a intersecção entre os referenciais teóricos adotados possibilitou novas formas de abordagem da expressividade cénica, a partir de uma perspetiva integrada e sensível aos elementos estruturais e poéticos da obra musical, contribuindo para preencher lacunas identificadas no ensino profissional da área, particularmente no contexto educacional profissionalizante brasileiro.
- Entre a memória e o objeto: a cenografia como um lugar de descoberta no Grupo de Teatro Terapêutico do Hospital Júlio de MatosPublication . Fernandes, Catarina Maria Costa; Silva, Carolina Lyra Barros daO estudo aqui apresentado propõe uma reflexão da cenografia enquanto prática artística situada entre a memória e o objeto, a partir do contexto do Grupo de Teatro Terapêutico do Hospital Júlio de Matos (HJM). Observamos a cenografia como um campo que habita numa trama elástica, sensível de escuta, onde memória, objetos e espaços participam ativamente num processo individual e coletivo, e de resignificação. Esta investigação parte de um trabalho de campo, um laboratório experimental com o Grupo, pessoas com experiência de doença mental, terapeuta e profissionais das artes cénicas. É do olhar de uma cenógrafa que a cenografia é observada como mediadora entre o consciente e o subconsciente, entre o real e o irreal. A cenografia será vista como uma grafia, como a escrita de uma poética que vai sendo criada ao longo de um tempo com várias mãos, acolhendo memórias, afetos e narrativas pessoais, dando-lhes corpo e um lugar para habitar. Não se pretende aqui trazer uma nova forma de cenografia, mas abrir um espaço de pensamento e de prática onde esta possa ser entendida como lugar de descoberta, inscrevendo-se no território da criação contemporânea. Esta proposta amplia a definição da cenografia, reconhecendo nela um modo de fazer que cruza disciplinas, corpos, tempos, objetos e memórias.
- Bicha de Sete Cabeças. Eu como “ACT”orPublication . Dias, Alex da Costa; Binyon, Claire MargaretA “Bicha de Sete Cabeças” dá nome a uma performance queer que procura suprir as inerentes lacunas do eterno processo enquanto artista performer, experimentando diferentes métodos de criação e modos de performance objetivando o desenvolvimento de uma dramaturgia própria através de uma ideia de “retalhos” ou “fragmentos” que parte muito do trabalho desenvolvido durante as unidades curriculares de Devising e Criação Cénica. Poderíamos também chamar-lhe uma carta ao meu “eu” do passado, sobre todas as pessoas que travaram e ainda travam as mesmas lutas - é uma anamnese de que a liberdade é uma luta constante. Abordando, simultaneamente, o campo de estudos queer, através da premissa de que a história de um é a história de muitos, encorajando a contínua tentativa de uma constituição de histórias, arquivos e repertórios queer. Este esforço parte de uma convicção para a preservação e exploração da multiplicidade destas vivências através das artes cénicas. O número 7, referenciado no nome da performance é um número mágico que servirá como base para a construção de todo o argumento – 7 cenas, 7 partes de uma bicha.
- A Era da Surdez: a música de intervenção como base dramatúrgica num processo criativoPublication . Martinho, Matilde de Fachada; Castro, Regina Maria de Carvalho Menezes e“A Era da Surdez” é uma peça teatro, criada no âmbito de um projeto de Mestrado em Criação Teatral. É uma criação em conjunto que conta a história de uma sociedade, onde a música, ou qualquer expressão de musicalidade, é proibida. Criada por, Simão Collares, que ficou encarregue da encenação e escrita da peça, Guilherme Festas, encarregue do vídeo e da ilustração, da Joana Campos, encarregue dos figurinos, e por mim, que fiquei encarregue da criação das músicas para o espetáculo. Esta monografia serve como um olhar por dentro do processo que foi criar as músicas utilizadas no espetáculo, as escolhas, as falhas, os desafios, entender como é que a música de intervenção foi utilizada como base dramatúrgica neste processo criativo.
- O papel feminino na história da dança - Um estudo das contribuições de Isadora Duncan, Marta Graham e Pina BauschPublication . Nicolau, Fernanda Marins; Oliveira, Cláudia Marisa Silva deEste projeto propõe investigar de que modo o trabalho das coreógrafas e bailarinas Isadora Duncan, Martha Graham e Pina Bausch foi importante ao longo da história da dança e como a sua construção acompanhou as transformações da sociedade. Através do detalhamento do desenvolvimento das metodologias destas três coreógrafas, busco identificar a contribuição de cada uma delas no âmbito da liberdade da mulher na dança, da busca pela emancipação do corpo feminino e do seu protagonismo ao longo da história da dança. Do ponto de vista prático, foi desenvolvido um solo na tentativa de vivenciar essas experiências no próprio corpo.
- Connecting the dots – A permacultura aplicada à gestão de um projeto culturalPublication . Magalhães, Carla Joana Almeida de; Castro, Regina Maria de Carvalho Menezes e; Oliveira, Fernando Matos deInserida no campo de estudos que relaciona arte e sustentabilidade, a investigação desenvolvida tem como objeto de pesquisa as práticas artísticas contemporâneas, circunscritas às artes performativas, compreendendo quer os processos de “genética artística” quer os “modos de produção” a elas associados. Acompanhando a crescente atenção subordinada aos modos de produção nas artes e à sua “ecologia operacional”, procura entender como é que a arte se faz ecológica do ponto de vista processual, assegurando a sua “sustentabilidade” nas suas diferentes dimensões (ambiental, cultural, social e económica). Perseguindo esta questão, propõe-se investigar o conceito de jardim aplicado à gestão de um projeto artístico. Através da adoção de uma estratégia híbrida e em permanente oscilação entre practice-led research (pesquisa derivada da prática) e practice-based research (pesquisa baseada na prática) e research-led practice (prática derivada da pesquisa) (Smith & Dean, 2009), aplica-se a metáfora vegetal ao projeto artístico “O jardim” - projeto transdisciplinar ongoing - que se constitui estudo aplicado. Fazendo uso de uma metodologia de investigação-ação, pesquisa-se um modo de gestão sustentável, baseado nos princípios da permacultura. Desta forma, procuram-se modelos de gestão alternativos, decorrentes de um discurso da prática, com o objetivo de contribuir para o debate sobre como fazer crescer futuros abundantes e sustentáveis perante a catástrofe ecológica.
- Espaço entre os dedos: andamentos de uma vidaPublication . Bastos, Margarida Bezerra de Sousa Lopes e; Gaspar, Ana Renata CernadasEste projeto de pesquisa e investigação artística explora a interseção entre arte e quotidiano, utilizando a ação performativa como prática e a autoetnografia como metodologia central para refletir sobre a identidade em constante devir e como experiências aparentemente insignificantes ou negligenciadas contribuem para as narrativas pessoais. Sustenta-se na autoetnografia como metodologia, utilizando a própria vida da investigadora, particularmente a performatividade do feminino no espaço doméstico, como local de investigação artística. Socorre-se do conceito de ‘écriture féminine’ de Hélène Cixous, reconhecendo a escrita e a documentação como atos performativos, e dos movimentos artísticos proto-performativos como o Fluxus, incorporando instruções de texto, imagens e objetos como elementos que elevam ações mundanas a expressões artísticas. Inspirado na Carrier Bag Theory of Fiction (1986) de Ursula K. Le Guin, e em práticas artísticas que utilizam a vida quotidiana como material criativo o projeto enfatiza o ato de recolher e documentar experiências do dia a dia como forma de criar um arquivo vivo. Ao centrar-se no ‘espaço entre os dedos’- gestos e ações subtis da vida quotidiana - o projeto pretende revelar o impacto do quotidiano na formação da identidade e a sua investigação cria um espaço onde o performativo e a narrativa pessoal se fundem, levando a uma reavaliação do significado do quotidiano e do feminino na construção do eu como um work in progress.
- “Das Tripas Coração” – projecto de exploração cenográfica para performancePublication . Pereira, Diana Queirós; Cerdeira, Júlio Adrião Fernandes Franja; Moreira, Helder Jorge Maia da SilvaO que resulta da simbiose entre o corpo e a matéria como elemento cenográfico? Que marcas restam após agregar essa matéria durante um longo período de tempo, e como é que através dos mesmos e da carga antropológica enquanto elemento de pesquisa, pode o performer desenvolver a sua apresentação? Estas foram questões às quais me propus investigar resposta. O meu interesse focou-se então, na procura da simbiose entre o corpo e matéria enquanto elemento cenográfico. Esta matéria que é manipulada durante toda a apresentação, criando uma relação com o performer, da qual resultam formas amorfas, que comunicam através dos seus contornos, sons e movimentos com o propósito de se tornarem um único elemento cenográfico. A carqueja como elemento manipulado, alterando a sua estrutura nos diferentes momentos da performance, tem agregada a si uma carga etnográfica da história das Carquejeiras do Porto, da história de família e do imaginário pessoal do performer. Onde podemos compreender a cenografia neste contexto? Através de elementos multidisciplinares, movimento, danças tradicionais, escultura, criação sonora e desenho, a cenografia é o espaço onde esta relação de simbiose entre o corpo do performer e os elementos tem lugar originando um só ser onde não sabemos onde começa ou termina o performer e a matéria.