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- Máscaras do invisível: um retrato da realidadePublication . Alves, Ana Maria Gonçalves; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina; Baptista, AdrianaA fotografia contemporânea, enquanto prática artística e meio de comunicação, tem evoluído ao longo do tempo e a sua função tradicional de documentar a realidade está longe ser a única dimensão. Com Susan Sontag, John Berger e Merleau-Ponty, o papel da fotografia é problematizado enquanto documento e símbolo ao analisar a sua capacidade de questionar o visível e o invisível. Ao destacar a complexidade da experiência humana, a obra fotográfica propõe um olhar crítico sobre a construção da identidade e a representação da realidade na fotografia. Ao assumir um papel importante, no que toca a questões identitárias, subjetivas e sociais, a fotografia permite explorar a interação entre o visível e o invisível, o individual e o coletivo. Este carácter ambíguo, reforça a noção de que a imagem não reflete apenas o mundo, mas constrói-o a partir de perceções e intenções de quem está por detrás da lente, adotando uma abordagem narrativa participativa, tal como Lee Jeffries e Mário Macilau. A máscara, como é possível ver em certas fotografias concetuais de Gillian Wearing onde o retrato problematiza a identidade, enquanto elemento central da composição atua como catacrese das múltiplas camadas de identidade, ao revelar e ocultar significados. Neste projeto, através da sobreposição de camadas fotográficas, evoca-se a dualidade entre o real e simbólico, desafiando o olhar do espectador. A combinação de técnicas digitais e analógicas, reforça a tensão entre materialidade e imaterialidade, memória e efemeridade.
- Lugares – Mecanismos de controlo e poderPublication . Rodrigues, Leonardo; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, CristinaNeste artigo pretende-se, através da minha prática fotográfica autoral, analisar mecanismos de controlo e poder, articulando espaço, corpo e comportamento na contemporaneidade. Parte-se da compreensão do espaço como dispositivo disciplinar e relacional, no qual vigilância, normalização e internalização de normas estruturam subjetividades (Foucault, 1975, 2010). Problematiza-se a transição de controlo e poder revestido de formas subtis, característica do neoliberalismo, nas quais a sensação de falsa liberdade esconde sistemas de autoexploração e autovigilância, criando estados de exaustão e depressão, onde se poderá entrar num estado de robôs sem emoções pelo intermédio de rotinas e padrões reiterados, que colocam os seres como se estivessem em gaiolas aprisionados (Han, 2018). O controlo é investigado tanto na sua dimensão institucional quanto na esfera familiar, destacando-se o impacto do controlo psicológico e psicossocial na formação identitária da dinâmica familiar (Kuppens & Ceulemans, 2019). O conceito de “lugar” é mostrado numa perspetiva fenomenológica, como experiência vivida que articula corpo, memória e perceção, apresentando-se como espaço de pertença e/ou de imposição simbólica (Merleau-Ponty, 1945, 1999). Nesta obra artística, usando a fotografia como medium, que ao documentar, topicaliza e ao expor, critica, e estratégias que cruzam o documental e a representação, construo narrativas onde exploro a luz, a matéria e composição. A fotografia é, assim, subjetiva, não é um espelho da realidade, ao invés, mostra o seu significado como estatuto, ora de documento e evidência, ora de registo poético, dependendo das práticas sociais (Tagg, 1988), e dos prismas artísticos que empreendo neste projeto.
- Agora, com interferênciaPublication . Freitas, Juliana; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, CristinaA recusa de uma visão totalizante implica afastar a ideia de que o mundo precisa de ser plenamente explicado (Sontag, 1966). A fotografia surge como uma forma de estudar o real por fragmentos, aceitando que aquilo que se vê é sempre parcial, provisório e incompleto, pelo que se afigura importante uma discussão filosófica entre ser e parecer, isotópico e distópico, mimético e irreal. Num presente marcado pela velocidade e pela acumulação constante de imagens, o banal torna-se um espaço onde memórias, restos e aproximações temporais se sobrepõem. Entre o que é encontrado ao acaso e o que é guardado ao longo do tempo, desenvolve-se uma prática baseada na deambulação, na recolha e na reativação de imagens (Kessels, 2015). Fotografias produzidas no quotidiano convivem com arquivos vernaculares adquiridos em feiras e antiquários criando um campo onde diferentes materialidades coexistem. Guardar, comprar, arquivar e reorganizar tornam-se gestos tão importantes quanto fotografar (Kessels, 2015). As imagens não são fixadas imediatamente num sentido, deixando-as em suspensão, regressando à edição em momentos distintos, permitindo que novas relações surjam através da comparação e da montagem. O “agora” aparece como um território contaminado por outras temporalidades (Groys, 2009) onde postais e outros materiais distintos funcionam como máquinas do tempo que apenas se movem em direção a um presente inconstante. Assim, as imagens deixam de contar uma história linear e passam a construir um lugar; um espaço flutuante onde o tempo permanece aberto e o olhar permite demorar-se.
- Ver o que se move, justamente porque se escapa do lugarPublication . Castro, Cristina; Ferreira, Miguel; Castro, CristinaPartindo de um excerto de L'Oeil et L'Esprit, de Merleau-Ponty, os estudantes da Licenciatura em Tecnologia da Comunicação Audiovisual, da Escola Superior de Media Artes e Design do Instituto Politécnico do Porto, conceberam projectos autorais, incidindo na ideia de identidade de um lugar pelo vestígio. Descreve-se a metodologiapara a criação destes projectos, incidindo, de modo particular, na obra O ar barómetro do fluxo. A experiência de uma práxis do desenho, que surge do movimento de um lugar, evidencia a sua faceta invisível, pela ingerência mútua, entre corpo e espaço, numa filiação indefinida. É nesta ambiguidade que se procura a sua materialidade, pela percepção háptica, que se faz derme.
- Sarilhos e desejoPublication . Castro, Cristina; Castro, CristinaO excerto do filme Simple Men, de Hal Hartley, 1992, põe a descoberto a essência dos entes que se propõem experimentar e reflectir acerca do realmente vivido. Aquilo que de sobrevoo aparenta aventura e romance, formatos demasiado estabilizados e sem lugar a contaminações contraditórias, é substituído por Hartley em jeito de ensinamento, como lugar esbatido e permeável a entradas e saídas, pairando de portas escancaradas num ensaio ininterrupto1 , concebendo assim uma rota volátil, em estado de efervescência contínua.
- A ressignificação da fotografia vernacular – o ato de reescrever o arquivo fotográfico manipulando a memóriaPublication . Constantino, Emanuel Marques; Baptista, Adriana; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina; Castro, CristinaA produção fotográfica não esteve desde o seu início acessível a todas as faixas sociais. As elites foram as primeiras precursoras daquilo que se denominou inicialmente de invento fotográfico. Pelo custo associado às técnicas vigentes à época, o passo para a democratização deste meio só foi possível pela intervenção de figuras hoje reconhecidas na história da fotografia, como André Disdéri e George Eastman. Todavia, a quantidade de acontecimentos evolutivos (sociais, económicos, tecnológicos) levou a que rapidamente se presenciasse um espoletar da criação imagética, mesmo que o panorama atual evidencie já uma enorme mudança. No que se refere à quantidade, a criação diária de imagens hoje corresponde, em média, àquela registada anualmente na metade do século passado; a noção de caos ruidoso foi incluída na produção de imagens de forma forçada, em parte, alimentada pela era do digital. Ainda assim, não deixa de existir a tentativa constante – e obcecada – do fotógrafo, em mostrar e criar aquilo que ainda não foi visto e explorado (vivendo constantemente numa “impossibilia”), com a consequência do depósito de mais imagens. Tornam-se necessárias soluções que desacelerem uma criação desenfreada, e, a manipulação criativa e plena de sentidos complexos de “found photography” por Joachim Schmid é um caminho plausível para uma hipótese de produção eivada de reciclagem fotográfica. Não só da estratégia de Schmid, mas essencialmente da ressignificação da fotografia vernacular, nasce um olhar promissor no combate à massificação da imagem. David Bate afirma que a fotografia, contrariamente à pintura, dá certezas de que algo aconteceu ou esteve presente. No campo do vernacular a manipulação da memória pessoal/coletiva pode tornar-se uma estratégia imprescindível para a reinterpretação e fusão de dois tempos, numa nova abordagem, por onde nos movimentamos experiencialmente, fazendo circular entre tempos e espaços memórias e momentos distintos de captação do real, criando pela sua sínquise, novos significados.
- Construção da identidade através do retrato multidimensionalPublication . Ferreira, Alexandre; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, CristinaPartindo de premissas teóricas de Susan Sontag, John Berger e Roland Barthes, onde se discute que cada retrato é também um autorretrato do criador, ficam em foco as escolhas estéticas que refletem a sua visão do retratado e que permitem investigar a subjetividade inerente ao ato fotográfico. Neste projeto explorou-se a identidade humana enquanto uma entidade multifacetada, rejeitando a sua conceptualização como monólito estático. Inspirado nas obras de James Welling, que com a série Light Source, exemplifica a repetição como meio de revelar nuances através de variações, e John Stezaker, que na desconstrução de retratos, demonstra como a fragmentação conduz à unificação simbólica. O projeto utilizou a repetição e a fragmentação como ferramentas centrais para desconstruir a noção unidimensional do retrato, substituindo-o por um palimpsesto visual que integra múltiplas camadas de representação onde a identidade é interpretada como um “organismo vivo”, construído pela interação dinâmica entre o Eu real, o imaginado e o projetado. Explorou-se a pluralidade identitária através da cooperação de diferentes mídias plásticos com a fotografia, onde o sujeito assume um papel ativo, interagindo com as suas próprias representações. O resultado é um diálogo visual estratificado, onde a materialidade dos suportes e a imaterialidade do Eu coexistem, desafiando a fixidez do retrato tradicional. Com estas práticas multimédia pretende definir-se a identidade como um mosaico em constante mutação, cuja compreensão exige a integração de fragmentos dispersos, articulados numa narrativa polifónica ampliando o potencial expressivo da fotografia, mas também redefinindo o sujeito como coautor do seu próprio palimpsesto identitário.
- Corpo como consciênciaPublication . Rodrigues, Maria João Soares; Castro, Cristina; Baptista, Adriana; Marques da Silva, Olivia MariaA prática fotográfica documenta e questiona a relação entre corpo e espaço, abordando auto-perceção, identidade corporal e fusão entre figura e ambiente. O projeto artístico “Corpo como Consciência” parte da intercorporalidade da teoria fenomenológica de Maurice Merleau-Ponty e o de intersubjetividade husserliana enquanto pista de arranque para uma abordagem poética onde se re-elabora a relação entre corpo, perceção e espaço tendo a fotografia como prática artística. Cruzando alguns conceitos que dão corpo ao livro “A poética do espaço” de Gaston Bachelard e a expressividade do corpo nas obras de Pina Bausch, propõe-se uma reflexão sobre a forma como o corpo interage com o mundo visível e invisível, questionando as fronteiras entre sujeito e espaço. A abordagem fotográfica de Augusto Alves da Silva, na representação da Companhia Nacional de Bailado (CNB), reforça essa conexão ao evidenciar o palco como elementos dinâmicos. A fotografia do “X” vermelho no palco, exemplifica esta interação e reforça a ideia de que o espaço não é um mero cenário, que molda e é moldado pelo movimento do corpo, essencial para a experiência sensorial e artística. Neste projeto artístico, a fotografia torna-se então um meio de investigação visual que traduz estados de consciência e experiências sensoriais, sendo também uma extensão de um poema original. Esta prática híbrida entre fotografia e poesia procura provocar no observador uma experiência sensorial e reflexiva, onde a imagem possa manter-se como um campo aberto para a interpretação.
- A fotografia do detalhe contemporâneo como registo do passado pelo vestígioPublication . Alves, Francisco Monteiro; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina; Baptista, AdrianaDesde sempre, e talvez para sempre, uma questão que inquieta o ser humano está relacionada com o que está reservado para nós após a morte. Mais do que discussões sobre o lugar da alma, do espírito e da mente, pretendemos discutir e experimentar captar o aspeto físico do corpo e do mundo que segue sem nós. Depois de nós, o que fica? Neste sentido, é explorada a ausência humana através dos vestígios da sua presença, do que deixamos ficar e da forma como o mundo nos reclama de novo para si. Apresentando como referências os trabalhos fotográficos de Paul Seawright, “Sectarian Murder” (1988), e Peter Finnemore, “Gwendraeth House” (iniciado nos anos 80), a fotografia, como medium, surge numa abordagem de captura e registo do aparentemente banal, capaz de mostrar implicitamente a ideia do vestigial e de construir uma outra memória, recuperando o vivido, que não foi registado fotograficamente. O registo sequencial num espetro diacrónico põe em evidência a noção do tempo contínuo e imparável, mas a amplitude de enfoques num dado momento pode evocar o passado através do vestígio contemporâneo.
- A trivialidade diária e a fuga ao “overwhelmed” através do imaginário fotográficoPublication . Oliveira, Hernâni; Castro, Cristina; Baptista, Adriana; Marques da Silva, Olivia MariaA pressão social para cumprir rotinas mecânicas, e múltiplas tarefas, resulta numa sensação de sobrecarga e dispersão, assente na complexidade da sociedade contemporânea e no impacto da trivialidade nas acções diárias. A falta de uma instância que forneça um propósito na vida conduz cada indivíduo a reinventar a sua existência, levando-o a assumir diversos papéis e responsabilidades. A necessidade de registar criativamente a fuga à disfunção emocional, inspirada na poesia e na gravura, leva a explorar universos imaginários para encontrar conforto e novas perspectivas diante das demandas do quotidiano. A heteronímia poética em Fernando Pessoa cria o múltiplo dentro do um e a subversão de planos em M.C. Escher dá-nos o que sentimos como espaço oximorótico. Nesta proposta, a técnica fotográfica é utilizada para materializar a sensação de ‘overwhelmingness’, abordando a relação entre o real e o encenado, para desafiar a percepção, interpretação e a vivência do observador. Ao explorar a manipulação das cenas e a representação simbólica das escadas como alegoria central, pretende-se criar um conjunto de imagens polissémicas que materializem diferentes sensações. A obra fotográfica pretende contribuir para um diálogo sobre as pressões sociais e as exigências da vida moderna, permitindo uma reflexão sobre as influências individuais e sociais na forma de agir e reagir ao quotidiano. Ao questionar a natureza da imagem fotográfica como representação fiel da realidade, pretende-se desafiar o observador para uma compreensão mais profunda das dinâmicas de poder e estruturas sociais que moldam a nossa existência.
