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- Impacto na saúde do uso de agentes desinfetantes no contexto Pós-COVID-19: uma revisão da literaturaPublication . Resende, Elsa; Duarte, Joana; Oliveira, Ana; Santos, Joana; Oliveira, Ana IsabelA pandemia de COVID-19 provocou um aumento substancial na utilização de agentes desinfetantes em ambientes interiores, levantando preocupações sobre os seus efeitos na saúde humana e na qualidade do ar. Compostos como monoterpenos, ozono e partículas ultrafinas (PUFs) estão associados a impactos adversos, especialmente em espaços com ventilação deficiente (Marval et al., 2022). Esta revisão de literatura teve como objetivo avaliar os efeitos da exposição a desinfetantes, com foco na interação química entre monoterpenos e ozono e na consequente formação de PUFs, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório e atingir a circulação sanguínea (Waring & Wells, 2015). A metodologia seguiu as diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), com pesquisa em bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science, e ScienceDirect, no período de 2020 e 2025. As palavras-chave utilizadas foram: “desinfetantes”; “COVID-19” e “exposição ocupacional. Foram encontrados 567 artigos, após a leitura dos títulos dos artigos, verificou-se que alguns se repetiam nas diferentes bases de dados e outros não preenchiam os critérios deste estudo. Foram selecionados 124 artigos para leitura do resumo e excluídos os que não cumpriam o propósito da pesquisa. Após a leitura dos resumos, foram selecionados 46 artigos que foram lidos na íntegra. Na seleção final, foram aceites 38 artigos. Os resultados demonstram que a exposição prolongada a desinfetantes, sobretudo em contextos ocupacionais, pode agravar patologias respiratórias e cardiovasculares. A formação de PUFs por reações entre ozono e monoterpenos, como o limoneno, representa um risco adicional à saúde. Embora os desinfetantes naturais apresentem menor toxicidade, a sua eficácia e segurança requerem validação científica. A ventilação adequada e o uso de sistemas de filtração, como filtros High Efficiency Particulate Air (HEPA), revelam-se medidas eficazes para reduzir a exposição a poluentes (Agarwal et al., 2021). Apesar da relevância dos desinfetantes na contenção da COVID-19, é essencial equilibrar a sua utilização com práticas que minimizem os riscos à saúde pública. A ciência assume aqui um papel central, não apenas como instrumento de diagnóstico, mas como motor de transformação, contribuindo diretamente para a formulação de políticas públicas mais eficazes e para a reorientação das práticas construtivas.
- Separação enantiomérica e determinação da configuração absoluta da 3-clorometacatinona, e avaliação da sua toxicidade em D. magnaPublication . Langa, Ivan; António, João; Ribeiro, Cláudia; Carvalho, Ana; Vidal, Renata; Gonçalves, Virgínia; Silva, Diana da; Cravo, Sara; Tiritan, MariaA catinona sintética 3-clorometacatinona (3-CMC) é atualmente uma das novas substâncias psicoativas (NSP) mais prevalentes, representando cerca de 46 % das NSP apreendidas na Europa em 2023 (EUDA, 2025). A 3-CMC é uma molécula quiral que, após consumo, pode sofrer metabolismo e excreção estereosseletivos, atingindo as águas superficiais através dos efluentes das estações de tratamento de águas residuais (ETAR) e afetando organismos não-alvo (Carvalho et al., 2024; Langa et al., 2024). Como os enantiómeros podem apresentar diferentes atividades biológicas, os estudos enantiosseletivos assumem elevada importância em contextos clínicos, forenses e ecotoxicológicos. Este estudo teve como objetivos (i) otimizar um método cromatográfico para a separação dos enantiómeros da 3-CMC à escala de miligramas; (ii) determinar a configuração absoluta dos enantiómeros da 3-CMC; (iii) avaliar a ecotoxicidade do (R,S)-3-CMC em D. magna. A separação dos enantiómeros da 3-CMC foi realizada por cromatografia líquida (LC) acoplada a um detetor UV/Vis, utilizando uma coluna semi-preparativa CHIRALPAK® AD-H. A configuração absoluta foi determinada por dicroísmo circular eletrónico (ECD) com um espectrómetro Jasco J-1500. Nos ensaios de ecotoxicidade, neonatos com ≤ 24 h foram expostos ao (R,S)-3-CMC em concentrações de 3,125 a 50 mg L⁻¹ (ensaio agudo, 48 h) e 260, 325 e 520 μg L⁻¹ (ensaio sub-crónico, 9 dias) tendo sido avaliados parâmetros comportamentais, morfofisiológicos, reprodutivos e bioquímicos. O método otimizado permitiu separar os enantiómeros da 3-CMC (5,1 mg mL⁻¹) com purezas de 98,10 % para o (S)-3-CMC e 97,78 % para o (R)-3-CMC. O ensaio agudo revelou EC₅₀ (48 h) = 26,14 mg L⁻¹. O racemato de 3-CMC provocou alterações significativas no comportamento e nos parâmetros morfofisiológicos. Não foram observadas alterações nos parâmetros reprodutivos. As análises bioquímicas mostraram aumento significativo nos níveis de TBARs em todos os grupos expostos. Os enantiómeros isolados serão usados na avaliação enantiosseletiva da toxicidade in vitro. A determinação da configuração absoluta permitirá relacionar a ecotoxicidade de cada enantiómero. O ensaio evidencia a elevada toxicidade do (R,S)-3-CMC, mesmo após curtas exposições.
- Estratégias em Farmácia Comunitária para a toma segura de medicamentos em idosos – Revisão sistemáticaPublication . Afonso, Eliana; Nascimento, Tânia; Cruz, AgostinhoA população está a envelhecer e Portugal destaca-se como um dos países mais velhos da União Europeia, com um elevado índice de envelhecimento (Rochon et al., 2021). O envelhecimento leva a alterações fisiológicas que afetam a saúde e a farmacocinética (Höchel, 2019). Em Portugal, 36,9% dos idosos são polimedicados (Pazan & Wehling, 2021). Identificar as estratégias que a Farmácia Comunitária tem vindo a desenvolver para promover a segurança na toma da medicação pelos idosos. Revisão sistemática, segundo o protocolo PRISMA, registado no PROSPERO e análise qualitativa dos artigos de acordo com a Checklist for Systematic Review and Research Syntheses (JBI). As estratégias promovidas pelas farmácias dividem-se em internas e externas. As estratégias internas englobam ações relacionadas aos profissionais e à estrutura da farmácia. Entre elas destacam-se: o reforço da comunicação com os utentes (17,67%), a formação contínua dos profissionais para um atendimento personalizado e vigilância farmacológica, e a colaboração interdisciplinar entre profissionais de saúde (17,6%), que permite um acompanhamento mais eficaz do tratamento. Os programas de educação para idosos, presentes em 52,94% dos estudos, visam aumentar a literacia em saúde e a segurança na toma de medicamentos. Também se evidenciam melhorias no espaço físico da farmácia (criação de áreas de consulta), serviços de entrega ao domicílio e sistemas de dispensa monitorizada, que facilitam o cumprimento terapêutico. As estratégias externas concentram-se no idoso e nos medicamentos. A criação de dispositivos ou tecnologias de apoio (38,2%), como lembretes, pictogramas ou caixas de medicação, ajuda na adesão ao tratamento. Contudo, a medida mais frequente (88,24%) foi a revisão da medicação, permitindo identificar interações, duplicações ou erros terapêuticos. Por fim, alterações nas embalagens (mais legíveis e fáceis de abrir) também contribuem para o uso seguro medicamentos. Em suma as estratégias incluem formação contínua dos profissionais farmacêuticos, ações de literacia em saúde para aumentar o conhecimento dos idosos e serviços de revisão da medicação para prevenir erros e otimizar terapias. Estas medidas visam promover o uso seguro dos medicamentos, sobretudo em idosos polimedicados, melhorando a adesão e o acompanhamento terapêutico.
- Identificação de constituintes fenólicos, efeitos antiradicalares e anti-tirosinase e elucidação do perfil de citotoxicidade da raíz da planta ‘Tumbanjale’ (Hypoxis polystachya)Publication . André, Juliandra Salumbo; Silva, Diana Dias da; Andrade, Paula; Gomes, Nelson G. M.; Dias da Silva, Diana CristinaÉ evidente que a vasta biodiversidade vegetal de Angola não tem sido alvo de uma investigação sustentada que permita a validação das propriedades medicinais empiricamente atribuídas. Elucidar o perfil químico e farmacológico da raíz da ‘Tumbanjale’ (Hypoxis polystachya). A caracterização química foi realizada por HPLC-DAD; a avaliação da capacidade antiradicalar foi realizada com os radicais •NO e O2•- e a inibição enzimática da tirosinase foi monitorizada através da metabolização da L-DOPA; a interferência com a performance mitocondrial foi realizada pelo método do MTT. O extrato aquoso da raíz neutralizou significativamente os radicais •NO e O2•-, sendo particularmente eficaz contra o último, verificando-se também uma capacidade inibitória significativa contra a tirosinase. Tais efeitos são associados a vários derivados dos ácidos gálhico e hidroxicinâmico identificados no extrato. No entanto, apesar de não apresentar aparente citotoxicidade hepática e intestinal, o extrato levou a uma redução significativa na viabilidade celular de células gástricas do tipo AGS. A raíz de H. polystachia aparenta possuir efeitos bioativos relevantes no contexto da inflamação mas exibe citotoxicidade gástrica, requerendo precaução na sua utilização.
- Valorização dos resíduos de frutos e subprodutos da indústria: um modelo de economia circularPublication . Ribeiro, Tatiana; Garcia, Pablo; Barreiros, Luísa; Correia, Patrícia; Correia, Patrícia Carla dos Santos CorreiaO desperdício alimentar constitui um problema à escala global, que afeta todos os elos da cadeia alimentar: do produtor ao consumidor. As frutas e os legumes representam cerca de metade dos alimentos desperdiçados anualmente [Pfeiffer, 2021]. A maioria dos frutos são rejeitados quando não apresentam a aparência apreciada pelo consumidor, nomeadamente, o tamanho e a cor [Barreira, 2019]. A indústria de processamento de frutos, por exemplo para o fabrico de purés, sumos ou compotas, também gera bastantes perdas, como a casca, sementes e haste. Nos últimos anos tem-se tornado uma prioridade minimizar este problema, tendo em conta a necessidade de alimentar uma população mundial em crescimento [Santos, 2022]. Identificar os frutos mais produzidos na Península Ibérica. Estabelecer colaborações com produtores locais, superfícies comerciais ou indústrias de processamento que possam fornecer excedentes de frutos rejeitados durante a produção agrícola, distribuição ou ainda resíduos do processamento industrial. Realizar ensaios de fermentação, analisar a atividade antimicrobiana, atividade antioxidante e composição química dos compostos bioativos presentes nos produtos de fermentação a fim de avaliar o seu interesse na área alimentar, cosmética ou farmacêutica. Pesquisou-se, em bases de dados nacionais e internacionais, os frutos mais produzidos em Portugal e Espanha. Contactou-se a empresa "Compal" e a cooperativa “Fruta Feia”. Fermentaram-se diferentes partes de fruta, preparadas de diversas formas e adicionando água estéril, em matrazes colocados numa estufa de incubação a 30 °C. Foram recolhidas amostras a cada 24 horas e foi medido o pH. Os produtos fermentados foram analisados para avaliar a atividade antimicrobiana através da medição do halo de inibição para várias espécies. A pesquisa em várias bases de dados permitiu identificar a maçã, a laranja e a uva como os frutos mais produzidos na Península Ibérica. Estabeleceu-se um acordo com a cooperativa “Fruta Feia” para o fornecimento de maçãs e laranjas. Os ensaios com utilização de polpa de maçã originaram um maior halo de inibição. Ainda está a decorrer a análise da atividade antimicrobiana da laranja fermentada. As maçãs que são rejeitadas pelo circuito comercial podem ser valorizadas através de fermentação, apresentando uma promissora atividade antimicrobiana.
- Ingredientes ativos presentes nos suplementos alimentares comercializados em Portugal e utilizados nas infeções urináriasPublication . Rocha, Sandra; Jesus, Ângelo; Pinho, Cláudia; Jesus, Ângelo; Pinho, CláudiaAs infeções do trato urinário (ITU) são infeções prevalentes, aumentando os custos de saúde. O tratamento inclui antibióticos, mas a prescrição inadequada pode causar resistências bacterianas. Face aos efeitos indesejados decorrentes da terapêutica convencional, a procura por suplementos alimentares (SA) tem aumentado, existindo vários ingredientes ativos disponíveis no mercado para ITU. Assim, é importante identificar os ingredientes presentes nos SA e procurar evidências científicas para os seus usos, possibilitando um consumo seguro e eficaz dos produtos. Identificar e analisar os ingredientes ativos existentes em SA comercializados online, utilizados em infeções urinárias. Estudo observacional, descritivo, transversal com recolha de ingredientes ativos em SA comercializados na plataforma Google®, utilizando as palavras-chave: suplementos alimentares, infeções urinárias, compra. Incluíram-se websites com venda de SA e indicação em ITU; websites de diferentes categorias (farmácias, parafarmácias, lojas de dietética, ervanários, supermercados e lojas sem espaço físico); SA com ingredientes isolados/misturas; formulações orais sólidas. Obtiveram-se 170 SA com indicação em ITU, em 20 websites. Nos 170 SA, encontraram-se 430 ingredientes ativos no total e, destes, 64 ingredientes distintos (9 vitaminas, 2 minerais, 16 probióticos, 33 plantas e 4 ingredientes de outras categorias). A vitamina C surgiu em 33 SA e o zinco em 8 SA. Os probióticos mais encontrados foram o Lacticaseibacillus rhamnosus (19 SA) e Lactobacillus acidophilus (17 SA). Nas plantas, é de realçar o arando-americano (Vaccinium macrocarpon) (91 SA), hibisco (Hibiscus sabdariffa) (18 SA) e uva-ursina (Arctostaphylos uva-ursi) (15 SA). A D-manose surgiu em 39 SA. O nível de antioxidantes diminui em pacientes com ITU, e apesar da vitamina C e zinco não terem indicações na ITU, ambos contribuem para proteção das células contra stress oxidativo. O L. rhamnosus e L. acidophilus foram eficazes na recorrência da infeção urinária face ao placebo, em crianças. Segundo monografias de referência, a uva- ursina e arando-americano são utilizados no tratamento/alívio de sintomas leves de ITU recorrentes. A D-manose (doses entre 200 mg-3 g) é eficaz na redução dos sintomas ou recorrência de ITU. Mais estudos são necessários para confirmação de doses e segurança dos ingredientes presentes em SA para ITU.
- Avaliação da atividade antioxidante de maltes, lúpulos e cervejas portuguesasPublication . Araújo, Daniela; Santos, Diana; Pereira, Maria João; Oliveira, Ana Isabel; Pinho, Cláudia; Oliveira, Ana IsabelA cerveja é uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo, sendo composta por quatro ingredientes principais (água, malte, lúpulo e leveduras), alguns deles, como o malte e lúpulo, reconhecidos pelas atividades biológicas dos compostos, nomeadamente a atividade antioxidante, com vantagens na saúde dos consumidores (Silva et al., 2022). Avaliar a capacidade antioxidante de cervejas artesanais e industriais portuguesas e das matérias-primas (malte e lúpulo). Estudo experimental, com avaliação in vitro da atividade antioxidante de extratos aquosos e etanólicos (95% V/V), de três amostras de malte (Chocolate, Munich type I, Vienna) e lúpulo (Citra, Mosaic, Saaz). Foram ainda avaliadas duas cervejas artesanais (estilo Imperial Stout - IS-N e Brown Porter - BP-N) e uma cerveja industrial (estilo Sweet Stout - SB-S), com etanol na proporção da cerveja original (IS-N, 8,5%; BP-N, 4,8%; SB-S, 5%). A atividade antioxidante avaliou-se pelo ensaio da capacidade captora do radical 2,2-difenil-1-picril-hidrazilo (DPPH), ensaio de neutralização do ácido 2,2´-azino-bis(3-etilbenzotiazolina-6-sulfónico (ABTS), e ensaio da ferrozina. Nas amostras de malte, o IC50 variou entre 114,6±2,2 µg/mL e 969,5±5,4 µg/mL (baixa atividade antioxidante - IC50 > 100 μg/mL) (Kuete, & Efferth, 2010). Os extratos etanólicos apresentaram, no geral, melhores valores, com o extrato etanólico de malte Chocolate Rye a apresentar valores mais baixos de IC50 para o ensaio de ABTS e DPPH (370,5±2,4 µg/mL e 114,6±2,2 µg/mL, respetivamente). Para o lúpulo, o IC50 mais baixo foi de 7,4±0,2 µg/mL no ensaio do DPPH (extrato etanólico, Citra) (elevada atividade antioxidante, IC50 < 50 μg/mL). Nos extratos aquosos de lúpulo (ensaio do DPPH) duas variedades obtiveram IC50 abaixo de 50 µg/mL (Saaz, 24,3±1,5 µg/mL; Citra, 31,5±1,0 µg/mL). Nas cervejas, obtiveram-se valores de IC50 apenas nos ensaios do DPPH e ABTS, variando entre 230,8±4,8 µg/mL (IS-N, água, ensaio DPPH) e 963,8±8,1 µg/mL (BP-N, água, ensaio ABTS) (baixa atividade antioxidante). No geral, a cerveja artesanal IS-N (solvente etanólico) apresentou melhores resultados. As diferenças observadas nas amostras podem justificar-se pelos diferentes métodos de cultivo, períodos de colheita, e características da técnica extrativa (nos extratos de malte e lúpulo), os quais poderão afetar o perfil fitoquímico e, consequentemente, a atividade antioxidante.
- Diferenças relacionadas com o género na libertação da hormona antidiurética (ADH) após administração de catinonas sintéticas em ratos WistarPublication . Faria, Ana Carolina; Silva, Diana Dias daAs catinonas sintéticas provocam efeitos psicoativos semelhantes aos das anfetaminas clássicas1. As anfetaminas, em particular a 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA), podem induzir hiponatremia mediada pela serotonina através de um aumento da secreção da hormona antidiurética (ADH)2. Este efeito parece mais pronunciado nas mulheres, sugerindo diferenças relacionadas com o género na secreção de ADH2, 3. Este estudo avaliou o efeito de catinonas sintéticas na secreção de ADH in vivo e investigou diferenças relacionadas com o género neste efeito. Para isso, ratos Wistar fêmeas receberam i.p. 20 ou 40 mg/kg de 3,4-dimetilmetcatinona (3,4-DMMC) ou metilona; 20 mg/kg de MDMA serviu como controlo positivo. Os níveis plasmáticos de ADH foram quantificados 1h após a administração usando um imunoensaio enzimático-competitivo. Os níveis de ADH foram também quantificados no plasma de machos 1h após a administração de 20 mg/kg 3,4-DMMC/metilona e no plasma e urina de fêmeas 24h após a administração de 20 mg/kg 3,4-DMMC/metilona. Análises adicionais incluíram temperatura rectal; produção de urina, ingestão de água e teor de água no cérebro; razão peso cerebral/peso corporal. Observou-se que a MDMA, metilona e 3,4-DMMC aumentaram significativamente a ADH plasmática após 1h (p<0,05), não havendo diferenças significativas entre substâncias ou géneros. Os níveis de ADH mantiveram-se aumentados após 24h (p<0,01), embora de forma menos acentuada. Os níveis urinários de ADH também aumentaram significativamente 24h após exposição a ambas as catinonas (p<0,01). Após 24h, os animais expostos à 3,4-DMMC excretaram menores volumes urinários em relação à ingestão de água, suportando o efeito antidiurético mediado pela ADH. No entanto, não foram observados sinais de edema cerebral, com as razões peso cerebral/peso corporal permanecendo inalteradas. Após 1h, a temperatura rectal aumentou significativamente em todos os animais tratados, independentemente do género (p<0,01). Estes resultados demonstram que a 3,4-DMMC e a metilona aumentam significativamente a secreção de ADH, com a 3,4-DMMC produzindo um efeito antidiurético mensurável.
- Diferenças relacionadas com o género na libertação da hormona antidiurética (ADH) após administração de catinonas sintéticas em ratos WistarPublication . Faria, Ana Carolina; Silva, Diana Dias da; Dias da Silva, Diana CristinaAs catinonas sintéticas provocam efeitos psicoativos semelhantes aos das anfetaminas clássicas1. As anfetaminas, em particular a 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA), podem induzir hiponatremia mediada pela serotonina através de um aumento da secreção da hormona antidiurética (ADH)2. Este efeito parece mais pronunciado nas mulheres, sugerindo diferenças relacionadas com o género na secreção de ADH2, 3. Este estudo avaliou o efeito de catinonas sintéticas na secreção de ADH in vivo e investigou diferenças relacionadas com o género neste efeito. Para isso, ratos Wistar fêmeas receberam i.p. 20 ou 40 mg/kg de 3,4-dimetilmetcatinona (3,4-DMMC) ou metilona; 20 mg/kg de MDMA serviu como controlo positivo. Os níveis plasmáticos de ADH foram quantificados 1h após a administração usando um imunoensaio enzimático-competitivo. Os níveis de ADH foram também quantificados no plasma de machos 1h após a administração de 20 mg/kg 3,4-DMMC/metilona e no plasma e urina de fêmeas 24h após a administração de 20 mg/kg 3,4-DMMC/metilona. Análises adicionais incluíram temperatura rectal; produção de urina, ingestão de água e teor de água no cérebro; razão peso cerebral/peso corporal. Observou-se que a MDMA, metilona e 3,4-DMMC aumentaram significativamente a ADH plasmática após 1h (p<0,05), não havendo diferenças significativas entre substâncias ou géneros. Os níveis de ADH mantiveram-se aumentados após 24h (p<0,01), embora de forma menos acentuada. Os níveis urinários de ADH também aumentaram significativamente 24h após exposição a ambas as catinonas (p<0,01). Após 24h, os animais expostos à 3,4-DMMC excretaram menores volumes urinários em relação à ingestão de água, suportando o efeito antidiurético mediado pela ADH. No entanto, não foram observados sinais de edema cerebral, com as razões peso cerebral/peso corporal permanecendo inalteradas. Após 1h, a temperatura rectal aumentou significativamente em todos os animais tratados, independentemente do género (p<0,01). Estes resultados demonstram que a 3,4-DMMC e a metilona aumentam significativamente a secreção de ADH, com a 3,4-DMMC produzindo um efeito antidiurético mensurável.
- Caracterização de metáfases em linfócitos: comparação entre diferentes meios de culturaPublication . Barreiros, Luís; Silva, Isaltina; Lamas, Maria Céu; Ferreira, Stephanie; Mota, Sandra; Amorim, Manuela; Ribeiro Lamas, Maria do Céu; Lopes Ferreira, StephanieA análise dos cromossomas usando técnicas de citogenética permite a observação direta do genoma, sendo esta realizada através da observação das células que se encontram em metáfase. A qualidade da análise citogenética pode ser influenciada por diversos fatores, dos quais se destaca os tipos de meios de cultura utilizados. Com o intuito de analisar o número de metáfases obtido, a respetiva resolução das bandas e averiguar os custos associados à utilização de cada meio de cultura: Synchroset Chromossome Medium P, PB Max Karyotyping Medium, Pantum L24 e RPMI-1640, manualmente suplementado, foi realizado um estudo experimental em culturas sincronizadas de linfócitos T em diferentes meios de cultura provenientes de 21 amostras aleatórias de sangue periférico colhidos em heparina sódica, entre 11 a 25 de junho. A cada alíquota de 5mL de cada meio de cultura testado foi adicionado 0,5 mL de amostra de sangue periférico e incubadas a 37ºC durante 72 horas. A análise dos resultados demonstrou que o número de metáfases obtido (p=0,218; p=0,720; p=0,691) e a resolução dos cromossomas (p=0,983), determinada pelo método UKEQAS descrito pela Association for Clinical Cytogenetics, não se encontram dependentes dos meios de cultura utilizados, para valor de p<0,05. Adicionalmente, os meios de cultura completos apresentam custos por amostra superiores aos dos meios de cultura que necessitam de ser manualmente suplementados mesmo quando contabilizados os custos de todos os reagentes utilizados para a sua suplementação. Dessa forma, no âmbito da cultura celular, demonstrou-se ser possível reduzir custos, mantendo a qualidade da análise citogenética.
