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Estudo da prevalência da Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido na população da ULSTS

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A doença hemolítica do feto e do recém-nascido (DHFRN) resulta da passagem transplacentária de anticorpos maternos da classe IgG, responsáveis pela destruição de eritrócitos fetais e neonatais. Apesar da redução da incidência de casos por anti-D após a implementação da profilaxia, continuam a surgir casos associados a outros anticorpos clinicamente relevantes. Pretendeu-se neste estudo caracterizar a prevalência, os achados clínico-laboratoriais e as intervenções associadas à DHFRN numa coorte de recém-nascidos da ULSTS em 2024. Realizou-se um estudo observacional em recém-nascidos (RN), avaliando-se parâmetros clínicos e laboratoriais, incluindo grupo sanguíneo, teste de antiglobulina direto (TAD), níveis de hemoglobina e bilirrubina, necessidade de fototerapia e história obstétrica materna. Foi realizada uma análise estatística descritiva e inferencial. Foram obtidos 1808 registos de RN e respetivas mães. A idade média das grávidas neste estudo foi de 31,3 ± 5,5 anos, com percentagem de mulheres primíparas de 52,5%, e um total de 7,08% de grávidas que não tiveram a vigilância adequada durante a gravidez. A incompatibilidade ABO entre mãe/RN neste estudo foi de 27,09%, com TAD positiva por anticorpos ABO de 3,85%. A prevalência de grávidas com anticorpos anti-eritrocitários foi de 1,05%, sendo o anti-D o mais frequente com 40,91% (n=9). A cobertura profilática com Ig anti-D foi de 85,91% durante a gravidez e de 97,67% no pós-parto. Verificou-se associação estatisticamente significativa entre TAD positivo e ocorrência de icterícia, bem como necessidade de fototerapia. Os RN com TAD positivo apresentaram níveis de hemoglobina mais baixos. Os resultados reforçam o papel do TAD como marcador clínico e laboratorial de hemólise significativa em RN, permitindo identificar precocemente os que apresentam maior risco de icterícia e necessidade de terapêutica. A profilaxia com imunoglobulina anti-D continua a ser uma medida fundamental na redução da aloimunização RhD. Contudo, a presença de anticorpos de outros sistemas sanguíneos reforça a importância do rastreio universal e da vigilância pré e pós-natal. Conclui-se que a DHFRN, embora controlada por estratégias preventivas, permanece uma condição clinicamente relevante, justificando monitorização e protocolos multidisciplinares que integrem prevenção, diagnóstico precoce e terapêuticas eficazes.

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Palavras-chave

Doença hemolítica do feto e do recém-nascido Hiperbilirrubinémia Incompatibilidade ABO e Rh Aloimunização Profilaxia com imunoglobulina anti-D

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