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Orientador(es)
Resumo(s)
A Guerra Colonial Portuguesa (1961–1974) é uma das marcas mais profundas deixadas pela ditadura do Estado Novo (1926–1974). Ao longo de treze anos, o esforço bélico foi sustentado por uma narrativa imperial que se perpetuou através de estratégias propagandísticas que exaltavam os territórios ultramarinos e o sucesso da guerra como pilares da identidade nacional. Nesse contexto, a imprensa periódica e a produção fotográfica colonial desempenharam um papel central na consolidação e projeção do colonialismo como um projeto civilizacional e estratégico. O silenciamento visual em torno do conflito, promovido em grande parte pela Censura Prévia, e a manipulação textual e visual da época, evidenciam a instrumentalização da comunicação e de uma memória coletiva enviesada. Nesta proposta, exigindo à fotografia mais do que uma forma de representar, tornam-se presentes (“presenta-se”, como explicita Leonardo Charréu) de forma artística as verídicas dimensões da vida humana, falaciosamente representadas em sete páginas da revista “O Século” (1940), com fotografias de explosões da Guerra Colonial Portuguesa publicadas na internet. A par da negação do uso de ‘napalm’ nas antigas colónias portuguesas, parte-se da explosão como ícone visual discursivo.
Ancorados nos conceitos de ‘explosão’ de Lotman (1999) e ‘sublime’ de Burke (1757), interroga-se o registo do horror, a sua estetização e a relação semântica denotativa e simbólica conotativa entre imagem-palavra. A intervenção manual através da pintura azul-cobalto no conjunto de imagens desafia o limite do visível e do invisível, na fotografia, cruzando de forma interdisciplinar investigação e criação artística, censurando, assim, critica e retoricamente este não-acontecimento.
Descrição
Palavras-chave
Colonialismo Imprensa Fotografia Explosão
Contexto Educativo
Citação
Editora
Ao Norte, Câmara Municipal de Viana do Castelo
Licença CC
Sem licença CC
