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ESMAD - DAI - Pósteres, resumos em eventos científicos

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  • Máscaras do invisível: um retrato da realidade
    Publication . Alves, Ana Maria Gonçalves; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina; Baptista, Adriana
    A fotografia contemporânea, enquanto prática artística e meio de comunicação, tem evoluído ao longo do tempo e a sua função tradicional de documentar a realidade está longe ser a única dimensão. Com Susan Sontag, John Berger e Merleau-Ponty, o papel da fotografia é problematizado enquanto documento e símbolo ao analisar a sua capacidade de questionar o visível e o invisível. Ao destacar a complexidade da experiência humana, a obra fotográfica propõe um olhar crítico sobre a construção da identidade e a representação da realidade na fotografia. Ao assumir um papel importante, no que toca a questões identitárias, subjetivas e sociais, a fotografia permite explorar a interação entre o visível e o invisível, o individual e o coletivo. Este carácter ambíguo, reforça a noção de que a imagem não reflete apenas o mundo, mas constrói-o a partir de perceções e intenções de quem está por detrás da lente, adotando uma abordagem narrativa participativa, tal como Lee Jeffries e Mário Macilau. A máscara, como é possível ver em certas fotografias concetuais de Gillian Wearing onde o retrato problematiza a identidade, enquanto elemento central da composição atua como catacrese das múltiplas camadas de identidade, ao revelar e ocultar significados. Neste projeto, através da sobreposição de camadas fotográficas, evoca-se a dualidade entre o real e simbólico, desafiando o olhar do espectador. A combinação de técnicas digitais e analógicas, reforça a tensão entre materialidade e imaterialidade, memória e efemeridade.
  • Agora, com interferência
    Publication . Freitas, Juliana; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, Cristina
    A recusa de uma visão totalizante implica afastar a ideia de que o mundo precisa de ser plenamente explicado (Sontag, 1966). A fotografia surge como uma forma de estudar o real por fragmentos, aceitando que aquilo que se vê é sempre parcial, provisório e incompleto, pelo que se afigura importante uma discussão filosófica entre ser e parecer, isotópico e distópico, mimético e irreal. Num presente marcado pela velocidade e pela acumulação constante de imagens, o banal torna-se um espaço onde memórias, restos e aproximações temporais se sobrepõem. Entre o que é encontrado ao acaso e o que é guardado ao longo do tempo, desenvolve-se uma prática baseada na deambulação, na recolha e na reativação de imagens (Kessels, 2015). Fotografias produzidas no quotidiano convivem com arquivos vernaculares adquiridos em feiras e antiquários criando um campo onde diferentes materialidades coexistem. Guardar, comprar, arquivar e reorganizar tornam-se gestos tão importantes quanto fotografar (Kessels, 2015). As imagens não são fixadas imediatamente num sentido, deixando-as em suspensão, regressando à edição em momentos distintos, permitindo que novas relações surjam através da comparação e da montagem. O “agora” aparece como um território contaminado por outras temporalidades (Groys, 2009) onde postais e outros materiais distintos funcionam como máquinas do tempo que apenas se movem em direção a um presente inconstante. Assim, as imagens deixam de contar uma história linear e passam a construir um lugar; um espaço flutuante onde o tempo permanece aberto e o olhar permite demorar-se.
  • Lugares – Mecanismos de controlo e poder
    Publication . Rodrigues, Leonardo; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, Cristina
    Neste artigo pretende-se, através da minha prática fotográfica autoral, analisar mecanismos de controlo e poder, articulando espaço, corpo e comportamento na contemporaneidade. Parte-se da compreensão do espaço como dispositivo disciplinar e relacional, no qual vigilância, normalização e internalização de normas estruturam subjetividades (Foucault, 1975, 2010). Problematiza-se a transição de controlo e poder revestido de formas subtis, característica do neoliberalismo, nas quais a sensação de falsa liberdade esconde sistemas de autoexploração e autovigilância, criando estados de exaustão e depressão, onde se poderá entrar num estado de robôs sem emoções pelo intermédio de rotinas e padrões reiterados, que colocam os seres como se estivessem em gaiolas aprisionados (Han, 2018). O controlo é investigado tanto na sua dimensão institucional quanto na esfera familiar, destacando-se o impacto do controlo psicológico e psicossocial na formação identitária da dinâmica familiar (Kuppens & Ceulemans, 2019). O conceito de “lugar” é mostrado numa perspetiva fenomenológica, como experiência vivida que articula corpo, memória e perceção, apresentando-se como espaço de pertença e/ou de imposição simbólica (Merleau-Ponty, 1945, 1999). Nesta obra artística, usando a fotografia como medium, que ao documentar, topicaliza e ao expor, critica, e estratégias que cruzam o documental e a representação, construo narrativas onde exploro a luz, a matéria e composição. A fotografia é, assim, subjetiva, não é um espelho da realidade, ao invés, mostra o seu significado como estatuto, ora de documento e evidência, ora de registo poético, dependendo das práticas sociais (Tagg, 1988), e dos prismas artísticos que empreendo neste projeto.
  • Corpo como consciência
    Publication . Rodrigues, Maria João Soares; Castro, Cristina; Baptista, Adriana; Marques da Silva, Olivia Maria
    A prática fotográfica documenta e questiona a relação entre corpo e espaço, abordando auto-perceção, identidade corporal e fusão entre figura e ambiente. O projeto artístico “Corpo como Consciência” parte da intercorporalidade da teoria fenomenológica de Maurice Merleau-Ponty e o de intersubjetividade husserliana enquanto pista de arranque para uma abordagem poética onde se re-elabora a relação entre corpo, perceção e espaço tendo a fotografia como prática artística. Cruzando alguns conceitos que dão corpo ao livro “A poética do espaço” de Gaston Bachelard e a expressividade do corpo nas obras de Pina Bausch, propõe-se uma reflexão sobre a forma como o corpo interage com o mundo visível e invisível, questionando as fronteiras entre sujeito e espaço. A abordagem fotográfica de Augusto Alves da Silva, na representação da Companhia Nacional de Bailado (CNB), reforça essa conexão ao evidenciar o palco como elementos dinâmicos. A fotografia do “X” vermelho no palco, exemplifica esta interação e reforça a ideia de que o espaço não é um mero cenário, que molda e é moldado pelo movimento do corpo, essencial para a experiência sensorial e artística. Neste projeto artístico, a fotografia torna-se então um meio de investigação visual que traduz estados de consciência e experiências sensoriais, sendo também uma extensão de um poema original. Esta prática híbrida entre fotografia e poesia procura provocar no observador uma experiência sensorial e reflexiva, onde a imagem possa manter-se como um campo aberto para a interpretação.
  • Construção da identidade através do retrato multidimensional
    Publication . Ferreira, Alexandre; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, Cristina
    Partindo de premissas teóricas de Susan Sontag, John Berger e Roland Barthes, onde se discute que cada retrato é também um autorretrato do criador, ficam em foco as escolhas estéticas que refletem a sua visão do retratado e que permitem investigar a subjetividade inerente ao ato fotográfico. Neste projeto explorou-se a identidade humana enquanto uma entidade multifacetada, rejeitando a sua conceptualização como monólito estático. Inspirado nas obras de James Welling, que com a série Light Source, exemplifica a repetição como meio de revelar nuances através de variações, e John Stezaker, que na desconstrução de retratos, demonstra como a fragmentação conduz à unificação simbólica. O projeto utilizou a repetição e a fragmentação como ferramentas centrais para desconstruir a noção unidimensional do retrato, substituindo-o por um palimpsesto visual que integra múltiplas camadas de representação onde a identidade é interpretada como um “organismo vivo”, construído pela interação dinâmica entre o Eu real, o imaginado e o projetado. Explorou-se a pluralidade identitária através da cooperação de diferentes mídias plásticos com a fotografia, onde o sujeito assume um papel ativo, interagindo com as suas próprias representações. O resultado é um diálogo visual estratificado, onde a materialidade dos suportes e a imaterialidade do Eu coexistem, desafiando a fixidez do retrato tradicional. Com estas práticas multimédia pretende definir-se a identidade como um mosaico em constante mutação, cuja compreensão exige a integração de fragmentos dispersos, articulados numa narrativa polifónica ampliando o potencial expressivo da fotografia, mas também redefinindo o sujeito como coautor do seu próprio palimpsesto identitário.
  • Res Incorporalis
    Publication . Miquel, Rafael París; Baptista, Adriana; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina
    A efemeridade da vida, o desaparecimento e a ausência são tópicos híper discutidos na conceptualização da temporalidade (tal como a descreve K. Pomian), nomeadamente, no que permite distinguir o tempo solar (cíclico) do tempo psicológico. Nos seus textos sobre a brevidade da vida, Séneca apresenta o tempo como elemento intangível condicionante da nossa existência. A partilha do nosso tempo aparece como um ato amoroso e, neste sentido, converge com o fotográfico – ou cinematográfico – como tentativa de fuga à efemeridade. A fotografia é vista como agente de resistência contra o irreversível, convocando assim a reversibilidade temporal do ausente. Esta problematização fica evidenciada na leitura de Roland Barthes (A câmara clara) sobre a fotografia de Lewis Payne realizada por Alexander Gardner: “está morto e vai morrer” (Barthes, 2006). O fotógrafo pode posicionar-se perante o desaparecimento natural, tal e como acontece nas obras Authorization do artista Michael Snow, e em Nine Polaroid Photographs of a Mirror de William Anastasi, ou na obra do fotógrafo Alberto García-Alix La ausencia como estímulo (Garcia-Alix, 2024). O espaço fotográfico torna-se um limiar entre a passagem e a permanência. Focado no ato do desaparecimento, o projeto visual permitiu o visionamento cíclico, aparentado à escrita, onde o sujeito fotografado volta, incansavelmente, ao início, exigindo leituras labirínticas. No cruzamento da imagem e da escrita a dúvida entre o finito e o infinito reitera questões inerentes o medium, que aprisionam o leitor num ciclo no qual aceita o desaparecimento enquanto paradoxalmente sabe que tem poder para que tal não aconteça.
  • Perceção Colonial
    Publication . Barbosa, Patrícia; Baptista, Adriana; Castro, Cristina; Marques da Silva, Olivia Maria
    A Guerra Colonial Portuguesa (1961–1974) é uma das marcas mais profundas deixadas pela ditadura do Estado Novo (1926–1974). Ao longo de treze anos, o esforço bélico foi sustentado por uma narrativa imperial que se perpetuou através de estratégias propagandísticas que exaltavam os territórios ultramarinos e o sucesso da guerra como pilares da identidade nacional. Nesse contexto, a imprensa periódica e a produção fotográfica colonial desempenharam um papel central na consolidação e projeção do colonialismo como um projeto civilizacional e estratégico. O silenciamento visual em torno do conflito, promovido em grande parte pela Censura Prévia, e a manipulação textual e visual da época, evidenciam a instrumentalização da comunicação e de uma memória coletiva enviesada. Nesta proposta, exigindo à fotografia mais do que uma forma de representar, tornam-se presentes (“presenta-se”, como explicita Leonardo Charréu) de forma artística as verídicas dimensões da vida humana, falaciosamente representadas em sete páginas da revista “O Século” (1940), com fotografias de explosões da Guerra Colonial Portuguesa publicadas na internet. A par da negação do uso de ‘napalm’ nas antigas colónias portuguesas, parte-se da explosão como ícone visual discursivo. Ancorados nos conceitos de ‘explosão’ de Lotman (1999) e ‘sublime’ de Burke (1757), interroga-se o registo do horror, a sua estetização e a relação semântica denotativa e simbólica conotativa entre imagem-palavra. A intervenção manual através da pintura azul-cobalto no conjunto de imagens desafia o limite do visível e do invisível, na fotografia, cruzando de forma interdisciplinar investigação e criação artística, censurando, assim, critica e retoricamente este não-acontecimento.
  • A fotografia do detalhe contemporâneo como registo do passado pelo vestígio
    Publication . Alves, Francisco Monteiro; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina; Baptista, Adriana
    Desde sempre, e talvez para sempre, uma questão que inquieta o ser humano está relacionada com o que está reservado para nós após a morte. Mais do que discussões sobre o lugar da alma, do espírito e da mente, pretendemos discutir e experimentar captar o aspeto físico do corpo e do mundo que segue sem nós. Depois de nós, o que fica? Neste sentido, é explorada a ausência humana através dos vestígios da sua presença, do que deixamos ficar e da forma como o mundo nos reclama de novo para si. Apresentando como referências os trabalhos fotográficos de Paul Seawright, “Sectarian Murder” (1988), e Peter Finnemore, “Gwendraeth House” (iniciado nos anos 80), a fotografia, como medium, surge numa abordagem de captura e registo do aparentemente banal, capaz de mostrar implicitamente a ideia do vestigial e de construir uma outra memória, recuperando o vivido, que não foi registado fotograficamente. O registo sequencial num espetro diacrónico põe em evidência a noção do tempo contínuo e imparável, mas a amplitude de enfoques num dado momento pode evocar o passado através do vestígio contemporâneo.
  • A trivialidade diária e a fuga ao “overwhelmed” através do imaginário fotográfico
    Publication . Oliveira, Hernâni; Castro, Cristina; Baptista, Adriana; Marques da Silva, Olivia Maria
    A pressão social para cumprir rotinas mecânicas, e múltiplas tarefas, resulta numa sensação de sobrecarga e dispersão, assente na complexidade da sociedade contemporânea e no impacto da trivialidade nas acções diárias. A falta de uma instância que forneça um propósito na vida conduz cada indivíduo a reinventar a sua existência, levando-o a assumir diversos papéis e responsabilidades. A necessidade de registar criativamente a fuga à disfunção emocional, inspirada na poesia e na gravura, leva a explorar universos imaginários para encontrar conforto e novas perspectivas diante das demandas do quotidiano. A heteronímia poética em Fernando Pessoa cria o múltiplo dentro do um e a subversão de planos em M.C. Escher dá-nos o que sentimos como espaço oximorótico. Nesta proposta, a técnica fotográfica é utilizada para materializar a sensação de ‘overwhelmingness’, abordando a relação entre o real e o encenado, para desafiar a percepção, interpretação e a vivência do observador. Ao explorar a manipulação das cenas e a representação simbólica das escadas como alegoria central, pretende-se criar um conjunto de imagens polissémicas que materializem diferentes sensações. A obra fotográfica pretende contribuir para um diálogo sobre as pressões sociais e as exigências da vida moderna, permitindo uma reflexão sobre as influências individuais e sociais na forma de agir e reagir ao quotidiano. Ao questionar a natureza da imagem fotográfica como representação fiel da realidade, pretende-se desafiar o observador para uma compreensão mais profunda das dinâmicas de poder e estruturas sociais que moldam a nossa existência.
  • A ressignificação da fotografia vernacular – o ato de reescrever o arquivo fotográfico manipulando a memória
    Publication . Constantino, Emanuel Marques; Baptista, Adriana; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina; Castro, Cristina
    A produção fotográfica não esteve desde o seu início acessível a todas as faixas sociais. As elites foram as primeiras precursoras daquilo que se denominou inicialmente de invento fotográfico. Pelo custo associado às técnicas vigentes à época, o passo para a democratização deste meio só foi possível pela intervenção de figuras hoje reconhecidas na história da fotografia, como André Disdéri e George Eastman. Todavia, a quantidade de acontecimentos evolutivos (sociais, económicos, tecnológicos) levou a que rapidamente se presenciasse um espoletar da criação imagética, mesmo que o panorama atual evidencie já uma enorme mudança. No que se refere à quantidade, a criação diária de imagens hoje corresponde, em média, àquela registada anualmente na metade do século passado; a noção de caos ruidoso foi incluída na produção de imagens de forma forçada, em parte, alimentada pela era do digital. Ainda assim, não deixa de existir a tentativa constante – e obcecada – do fotógrafo, em mostrar e criar aquilo que ainda não foi visto e explorado (vivendo constantemente numa “impossibilia”), com a consequência do depósito de mais imagens. Tornam-se necessárias soluções que desacelerem uma criação desenfreada, e, a manipulação criativa e plena de sentidos complexos de “found photography” por Joachim Schmid é um caminho plausível para uma hipótese de produção eivada de reciclagem fotográfica. Não só da estratégia de Schmid, mas essencialmente da ressignificação da fotografia vernacular, nasce um olhar promissor no combate à massificação da imagem. David Bate afirma que a fotografia, contrariamente à pintura, dá certezas de que algo aconteceu ou esteve presente. No campo do vernacular a manipulação da memória pessoal/coletiva pode tornar-se uma estratégia imprescindível para a reinterpretação e fusão de dois tempos, numa nova abordagem, por onde nos movimentamos experiencialmente, fazendo circular entre tempos e espaços memórias e momentos distintos de captação do real, criando pela sua sínquise, novos significados.