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Orientador(es)
Resumo(s)
A efemeridade da vida, o desaparecimento e a ausência são tópicos híper discutidos na conceptualização da temporalidade (tal como a descreve K. Pomian), nomeadamente, no que permite distinguir o tempo solar (cíclico) do tempo psicológico. Nos seus textos sobre a brevidade da vida, Séneca apresenta o tempo como elemento intangível condicionante da nossa existência. A partilha do nosso tempo aparece como um ato amoroso e, neste sentido, converge com o fotográfico – ou cinematográfico – como tentativa de fuga à efemeridade. A fotografia é vista como agente de resistência contra o irreversível, convocando assim a reversibilidade temporal do ausente. Esta problematização fica evidenciada na leitura de Roland Barthes (A câmara clara) sobre a fotografia de Lewis Payne realizada por Alexander Gardner: “está morto e vai morrer” (Barthes, 2006). O fotógrafo pode posicionar-se perante o desaparecimento natural, tal e como acontece nas obras Authorization do artista Michael Snow, e em Nine Polaroid Photographs of a Mirror de William Anastasi, ou na obra do fotógrafo Alberto García-Alix La ausencia como estímulo (Garcia-Alix, 2024). O espaço fotográfico torna-se um limiar entre a passagem e a permanência. Focado no ato do desaparecimento, o projeto visual permitiu o visionamento cíclico, aparentado à escrita, onde o sujeito fotografado volta, incansavelmente, ao início, exigindo leituras labirínticas. No cruzamento da imagem e da escrita a dúvida entre o finito e o infinito reitera questões inerentes o medium, que aprisionam o leitor num ciclo no qual aceita o desaparecimento enquanto paradoxalmente sabe que tem poder para que tal não aconteça.
Descrição
Palavras-chave
Efemeridade Fotografia Ausência Temporalidade
Contexto Educativo
Citação
Editora
Ao Norte, Câmara Municipal de Viana do Castelo
Licença CC
Sem licença CC
