ESS - DM - Farmácia
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Percorrer ESS - DM - Farmácia por orientador "Barros, Piedade Aurora Gonçalves de"
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- Ecotoxicidade de Albendazol, Metronidazol e Ibuprofeno: avaliação nas espécies Triticum aestivum, Lactuca sativa e Chlorella vulgarisPublication . Faria, Vítor Emanuel Teixeira; Barros, Piedade Aurora Gonçalves de; Cruz, Agostinho Luís da SilvaO aumento do consumo global de fármacos, aliado à sua persistência ambiental, tem originado preocupação crescente sobre os seus efeitos ecotoxicológicos. Entre os compostos mais detetados em solos e águas estão o albendazol (ABZ), o metronidazol (MTZ) e o ibuprofeno (IBU), cujos efeitos em organismos não-alvo permanecem pouco esclarecidos. Esta dissertação integra uma revisão sistemática sobre os efeitos do MTZ em plantas e um estudo experimental com três organismos com relevância ecológica e agrícola: Chlorella vulgaris, Lactuca sativa e Triticum aestivum. O objetivo principal foi avaliar os efeitos ecotoxicológicos de ABZ, MTZ e IBU isolados e em misturas (ABZ+IBU; MTZ+IBU). Nos ensaios com C. vulgaris avaliou-se a taxa de crescimento e determinou-se a EC50, enquanto nos ensaios com L. sativa e T. aestivum foram analisados a germinação, o crescimento radicular e do epicótilo, procurando ainda identificar fenómenos de sinergismo ou antagonismo nos testes com as misturas. Os resultados mostraram que C. vulgaris apresentou elevada sensibilidade ao ABZ, enquanto MTZ e IBU induziram efeitos menos pronunciados. As misturas evidenciaram interações complexas, incluindo antagonismo na associação ABZ+IBU. Em L. sativa, ABZ e IBU inibiram a germinação e o crescimento radicular, embora algumas misturas tenham estimulado o desenvolvimento, sugerindo neutralização parcial dos efeitos tóxicos, enquanto MTZ+IBU provocou inibição precoce da germinação. Em T. aestivum, verificou-se maior sensibilidade às misturas, com inibição significativa da germinação e do crescimento radicular. Estes resultados confirmam que os efeitos das misturas não são previsíveis a partir dos compostos isolados, reforçando a necessidade de considerar interações químicas na avaliação de risco ambiental. Em conclusão, o presente estudo demonstrou que ABZ, MTZ e IBU afetam significativamente organismos vegetais aquáticos e terrestres, sendo o ABZ o composto mais tóxico. As misturas apresentaram efeitos não aditivos, destacando a complexidade da avaliação de risco. Estes dados contribuem para a compreensão do impacto ambiental de fármacos e sublinham a importância de estudos futuros sobre misturas de contaminantes nos ecossistemas.
