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Resumo(s)
As bactérias Vibrio spp. são ubiquitárias em ambientes marinhos e estuarianos, com capacidade de acumulação em organismos aquáticos que se destinam ao consumo humano, como é o caso dos bivalves. Estes microrganismos apresentam uma forte distribuição sazonal e crescem em águas mais temperadas e com baixa salinidade. Contudo, a sua presença tem vindo a aumentar em consequência das alterações climáticas, representando um risco crescente para a saúde pública, principalmente em indivíduos imunocomprometidos. Este estudo tem como objetivos determinar a frequência de Vibrio spp. em bivalves comercializados me Portugal, em fase de produção primária e em superfícies de venda no retalho, e caracterizar os isolados relativamente a fatores de virulência e à resistência antimicrobiana. Foram analisadas 47 amostras de bivalves provenientes de diferentes regiões de Portugal, segundo a norma ISSO 21872-1. Os isolados foram submetidos a sequenciação total do seu genoma para uma análise mais abrangente quanto aos seus genes de virulência e de resistência a antimicrobianos. Os testes de suscetibilidade a antimicrobianos foram realizados pelo método de difusão em disco. Das 47amostras analisadas, em 2,1% (n=1) não foi detetada nenhuma espécie de Vibrio enteropatogénico. Dos 73 Vibrio spp. detetados, 57,5% (n=42) oram identificados como Vibrio alginolyticus, 23,3% (n=17) como Vibrio parahaemolyticus, 15,1% (n=11) como Vibrio cholerae, 2,7% (n=2) como Vibrio metschnikovii e 1,4% como Vibrio vulnificus. Nenhum isolado de Vibrio cholerae pertencia aos serogrupos pandémicos (01/0139) ou expressavam genes que codificavam para a produção de toxina colérica. Apenas um isolado de Vibrio parahaemolyticus revelou o gene tdh, sugerindo potencial enteropatogénico. Verificaram-se elevadas taxas de resistência à ampicilina, principalmente em Vibrio parahaemolyticus e Vibrio alginolyticus. A elevada frequência destes microrganismos evidenciou a necessidade de reforçar os sistemas de vigilância epidemiológica e sensibilização dos consumidores para os riscos associados ao consumo de bivalves crus e mal cozinhados.
Descrição
Palavras-chave
Vibrio cholerae Vibrio vulnificus Vibrio parahaemolyticus Bivalves Contaminação
