ESMAD - DAI - Pósteres, resumos em eventos científicos
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Percorrer ESMAD - DAI - Pósteres, resumos em eventos científicos por Domínios Científicos e Tecnológicos (FOS) "Humanidades::Artes"
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- Agora, com interferênciaPublication . Freitas, Juliana; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, CristinaA recusa de uma visão totalizante implica afastar a ideia de que o mundo precisa de ser plenamente explicado (Sontag, 1966). A fotografia surge como uma forma de estudar o real por fragmentos, aceitando que aquilo que se vê é sempre parcial, provisório e incompleto, pelo que se afigura importante uma discussão filosófica entre ser e parecer, isotópico e distópico, mimético e irreal. Num presente marcado pela velocidade e pela acumulação constante de imagens, o banal torna-se um espaço onde memórias, restos e aproximações temporais se sobrepõem. Entre o que é encontrado ao acaso e o que é guardado ao longo do tempo, desenvolve-se uma prática baseada na deambulação, na recolha e na reativação de imagens (Kessels, 2015). Fotografias produzidas no quotidiano convivem com arquivos vernaculares adquiridos em feiras e antiquários criando um campo onde diferentes materialidades coexistem. Guardar, comprar, arquivar e reorganizar tornam-se gestos tão importantes quanto fotografar (Kessels, 2015). As imagens não são fixadas imediatamente num sentido, deixando-as em suspensão, regressando à edição em momentos distintos, permitindo que novas relações surjam através da comparação e da montagem. O “agora” aparece como um território contaminado por outras temporalidades (Groys, 2009) onde postais e outros materiais distintos funcionam como máquinas do tempo que apenas se movem em direção a um presente inconstante. Assim, as imagens deixam de contar uma história linear e passam a construir um lugar; um espaço flutuante onde o tempo permanece aberto e o olhar permite demorar-se.
- Cinema documental, realizador e personagem enquanto enigmaPublication . Baptista, Adriana; Seixas, Alberto; Fontoura, PriscilaNo cinema documental pode fundir-se o papel do realizador e do personagem. Com base na realização contemporânea de três documentários propomo-nos discutir funções, estatuto e papéis dos personagens no cinema documental. São várias as situações (nas quais destacamos a biografia, a autobiografia e o testemunho do acontecimento), onde o personagem principal eventualmente se esconde atrás da voz do narrador, ou seja, onde o realizador atua, conferindo ao narrador um papel distante do ator e próximo do conhecedor interveniente. Num primeiro momento, o narrador assume ser ator social, como se negasse a representação. Todavia, fica claro, frequentemente, que ao misturar-se o realizador com o personagem (cf. tipologia de Bezerra), ao tentar ser o principal personagem, o narrador, sendo comandado pelo realizador (presença, voz on e off-line, duração da presença, componente narrativa (expositiva, descritiva), argumentativa, opinativa, neutral) é também personagem. A nomeação que qualquer tipologia possa atribuir ao personagem (podendo ser ator ou actante), aborda a designação como um rótulo de papeis dentro do filme e contribui para a função do filme entre a divulgação e a transformação: o personagem herói, o personagem vítima, o personagem protagonista, o personagem ícone, ... Tal como nas narrativas literárias, o personagem do documentário pode ser o personagem central, assumindo ser plano ou redondo e quando redondo podemos atribuir ao realizador ou ao próprio personagem a capacidade de nos surpreender, mesmo que este personagem seja o maior testemunho do acontecimento desconhecido ou imprevisível. Segundo Bezerra não existe um grau zero entre personagem e pessoa. Se pretendermos retirar-lhe o papel de ator continuará sendo um performer ou, enquanto realizador, manter-se-á sempre como um não-performer? Nos três documentários em debate, num deles o realizador busca, escondido num personagem enigma, a sua autobiografia na biografia do seu nome, num outro, a realizadora na biografia da família, faz-se personagem biografada, num outro, a realização ganha a voz de um personagem que decide o que pode ser dito e visto sobre o protagonista e em cada um pretende-se demonstrar a dificuldade de fugir à interseção de papeis, funções e estatutos.
- Construção da identidade através do retrato multidimensionalPublication . Ferreira, Alexandre; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, CristinaPartindo de premissas teóricas de Susan Sontag, John Berger e Roland Barthes, onde se discute que cada retrato é também um autorretrato do criador, ficam em foco as escolhas estéticas que refletem a sua visão do retratado e que permitem investigar a subjetividade inerente ao ato fotográfico. Neste projeto explorou-se a identidade humana enquanto uma entidade multifacetada, rejeitando a sua conceptualização como monólito estático. Inspirado nas obras de James Welling, que com a série Light Source, exemplifica a repetição como meio de revelar nuances através de variações, e John Stezaker, que na desconstrução de retratos, demonstra como a fragmentação conduz à unificação simbólica. O projeto utilizou a repetição e a fragmentação como ferramentas centrais para desconstruir a noção unidimensional do retrato, substituindo-o por um palimpsesto visual que integra múltiplas camadas de representação onde a identidade é interpretada como um “organismo vivo”, construído pela interação dinâmica entre o Eu real, o imaginado e o projetado. Explorou-se a pluralidade identitária através da cooperação de diferentes mídias plásticos com a fotografia, onde o sujeito assume um papel ativo, interagindo com as suas próprias representações. O resultado é um diálogo visual estratificado, onde a materialidade dos suportes e a imaterialidade do Eu coexistem, desafiando a fixidez do retrato tradicional. Com estas práticas multimédia pretende definir-se a identidade como um mosaico em constante mutação, cuja compreensão exige a integração de fragmentos dispersos, articulados numa narrativa polifónica ampliando o potencial expressivo da fotografia, mas também redefinindo o sujeito como coautor do seu próprio palimpsesto identitário.
- Corpo como consciênciaPublication . Rodrigues, Maria João Soares; Castro, Cristina; Baptista, Adriana; Marques da Silva, Olivia MariaA prática fotográfica documenta e questiona a relação entre corpo e espaço, abordando auto-perceção, identidade corporal e fusão entre figura e ambiente. O projeto artístico “Corpo como Consciência” parte da intercorporalidade da teoria fenomenológica de Maurice Merleau-Ponty e o de intersubjetividade husserliana enquanto pista de arranque para uma abordagem poética onde se re-elabora a relação entre corpo, perceção e espaço tendo a fotografia como prática artística. Cruzando alguns conceitos que dão corpo ao livro “A poética do espaço” de Gaston Bachelard e a expressividade do corpo nas obras de Pina Bausch, propõe-se uma reflexão sobre a forma como o corpo interage com o mundo visível e invisível, questionando as fronteiras entre sujeito e espaço. A abordagem fotográfica de Augusto Alves da Silva, na representação da Companhia Nacional de Bailado (CNB), reforça essa conexão ao evidenciar o palco como elementos dinâmicos. A fotografia do “X” vermelho no palco, exemplifica esta interação e reforça a ideia de que o espaço não é um mero cenário, que molda e é moldado pelo movimento do corpo, essencial para a experiência sensorial e artística. Neste projeto artístico, a fotografia torna-se então um meio de investigação visual que traduz estados de consciência e experiências sensoriais, sendo também uma extensão de um poema original. Esta prática híbrida entre fotografia e poesia procura provocar no observador uma experiência sensorial e reflexiva, onde a imagem possa manter-se como um campo aberto para a interpretação.
- A fotografia do detalhe contemporâneo como registo do passado pelo vestígioPublication . Alves, Francisco Monteiro; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina; Baptista, AdrianaDesde sempre, e talvez para sempre, uma questão que inquieta o ser humano está relacionada com o que está reservado para nós após a morte. Mais do que discussões sobre o lugar da alma, do espírito e da mente, pretendemos discutir e experimentar captar o aspeto físico do corpo e do mundo que segue sem nós. Depois de nós, o que fica? Neste sentido, é explorada a ausência humana através dos vestígios da sua presença, do que deixamos ficar e da forma como o mundo nos reclama de novo para si. Apresentando como referências os trabalhos fotográficos de Paul Seawright, “Sectarian Murder” (1988), e Peter Finnemore, “Gwendraeth House” (iniciado nos anos 80), a fotografia, como medium, surge numa abordagem de captura e registo do aparentemente banal, capaz de mostrar implicitamente a ideia do vestigial e de construir uma outra memória, recuperando o vivido, que não foi registado fotograficamente. O registo sequencial num espetro diacrónico põe em evidência a noção do tempo contínuo e imparável, mas a amplitude de enfoques num dado momento pode evocar o passado através do vestígio contemporâneo.
- A fotografia enquanto uma nova molécula do ADN genéticoPublication . Baptista, Adriana; Oliveira, FelíciaPartindo de um projeto de fotografia sobre os documentos/objetos que a Roda do Porto designa como os Sinais da Roda, pretendemos discutir a forma como a produção fotográfica, partindo do arquivo e do registo, pode criar uma nova realidade de retrato biográfico de onde a personagem está ausente e onde a estrutura rizomática da genealogia se mostra como um dado inequívoco de que o que se vê ultrapassa o que se mostra. Assumimos que o fotógrafo tem a capacidade de dar uma nova vida aos sinais que repousam no arquivo, criando uma genealogia emocional. Falando da fotografia como registo e como documento, Miriam Manini afirma que o caminho para a informação, necessita da contextualização sem a qual a informação não fará sentido, mas “o contexto aciona toda uma rede semântica que vai conectar outros fios em sua malha para produzir mais alcance do conhecimento assim obtido.” Ora, esta malha de contextualização na leitura visual, sem a seleção pelo produtor de imagens e pelo seu leitor do que se quer que se veja e do que se quer ver e não do que se mostra, pois tal como Manini diz “qualquer detalhe que se privilegie terá uma série de seus pares preteridos, já que qualquer indexação é seleção.” Sabendo o quanto a fotografia de arquivo, pretende superar a iminente ação do tempo na durabilidade do documento arqueológico, apondo o hoje ao ontem, podemos afirmar que a fotografia do documento arquivado também pode trazer uma luz diversa do hoje valorizando mais o índice (que quem a vê escolhe para pensar na genealogia de quem mostra) do que o próprio documento? Sabendo o quanto a fotografia pode registar o objeto tal como é, podemos acreditar que mesmo fazendo-o, trabalhando sobre a materialização pela topicalização de um detalhe, aumenta a capacidade de pensar sem tocar? Trabalhando a fotografia sobre objetos catalogados e indexados a partir dos dados genealógicos da peça disponíveis, pode a fotografia aumentar o seu valor real, paratextual e histórico.
- Lugares – Mecanismos de controlo e poderPublication . Rodrigues, Leonardo; Marques da Silva, Olivia Maria; Baptista, Adriana; Castro, CristinaNeste artigo pretende-se, através da minha prática fotográfica autoral, analisar mecanismos de controlo e poder, articulando espaço, corpo e comportamento na contemporaneidade. Parte-se da compreensão do espaço como dispositivo disciplinar e relacional, no qual vigilância, normalização e internalização de normas estruturam subjetividades (Foucault, 1975, 2010). Problematiza-se a transição de controlo e poder revestido de formas subtis, característica do neoliberalismo, nas quais a sensação de falsa liberdade esconde sistemas de autoexploração e autovigilância, criando estados de exaustão e depressão, onde se poderá entrar num estado de robôs sem emoções pelo intermédio de rotinas e padrões reiterados, que colocam os seres como se estivessem em gaiolas aprisionados (Han, 2018). O controlo é investigado tanto na sua dimensão institucional quanto na esfera familiar, destacando-se o impacto do controlo psicológico e psicossocial na formação identitária da dinâmica familiar (Kuppens & Ceulemans, 2019). O conceito de “lugar” é mostrado numa perspetiva fenomenológica, como experiência vivida que articula corpo, memória e perceção, apresentando-se como espaço de pertença e/ou de imposição simbólica (Merleau-Ponty, 1945, 1999). Nesta obra artística, usando a fotografia como medium, que ao documentar, topicaliza e ao expor, critica, e estratégias que cruzam o documental e a representação, construo narrativas onde exploro a luz, a matéria e composição. A fotografia é, assim, subjetiva, não é um espelho da realidade, ao invés, mostra o seu significado como estatuto, ora de documento e evidência, ora de registo poético, dependendo das práticas sociais (Tagg, 1988), e dos prismas artísticos que empreendo neste projeto.
- Máscaras do invisível: um retrato da realidadePublication . Alves, Ana Maria Gonçalves; Marques da Silva, Olivia Maria; Castro, Cristina; Baptista, AdrianaA fotografia contemporânea, enquanto prática artística e meio de comunicação, tem evoluído ao longo do tempo e a sua função tradicional de documentar a realidade está longe ser a única dimensão. Com Susan Sontag, John Berger e Merleau-Ponty, o papel da fotografia é problematizado enquanto documento e símbolo ao analisar a sua capacidade de questionar o visível e o invisível. Ao destacar a complexidade da experiência humana, a obra fotográfica propõe um olhar crítico sobre a construção da identidade e a representação da realidade na fotografia. Ao assumir um papel importante, no que toca a questões identitárias, subjetivas e sociais, a fotografia permite explorar a interação entre o visível e o invisível, o individual e o coletivo. Este carácter ambíguo, reforça a noção de que a imagem não reflete apenas o mundo, mas constrói-o a partir de perceções e intenções de quem está por detrás da lente, adotando uma abordagem narrativa participativa, tal como Lee Jeffries e Mário Macilau. A máscara, como é possível ver em certas fotografias concetuais de Gillian Wearing onde o retrato problematiza a identidade, enquanto elemento central da composição atua como catacrese das múltiplas camadas de identidade, ao revelar e ocultar significados. Neste projeto, através da sobreposição de camadas fotográficas, evoca-se a dualidade entre o real e simbólico, desafiando o olhar do espectador. A combinação de técnicas digitais e analógicas, reforça a tensão entre materialidade e imaterialidade, memória e efemeridade.
- Perceção ColonialPublication . Barbosa, Patrícia; Baptista, Adriana; Castro, Cristina; Marques da Silva, Olivia MariaA Guerra Colonial Portuguesa (1961–1974) é uma das marcas mais profundas deixadas pela ditadura do Estado Novo (1926–1974). Ao longo de treze anos, o esforço bélico foi sustentado por uma narrativa imperial que se perpetuou através de estratégias propagandísticas que exaltavam os territórios ultramarinos e o sucesso da guerra como pilares da identidade nacional. Nesse contexto, a imprensa periódica e a produção fotográfica colonial desempenharam um papel central na consolidação e projeção do colonialismo como um projeto civilizacional e estratégico. O silenciamento visual em torno do conflito, promovido em grande parte pela Censura Prévia, e a manipulação textual e visual da época, evidenciam a instrumentalização da comunicação e de uma memória coletiva enviesada. Nesta proposta, exigindo à fotografia mais do que uma forma de representar, tornam-se presentes (“presenta-se”, como explicita Leonardo Charréu) de forma artística as verídicas dimensões da vida humana, falaciosamente representadas em sete páginas da revista “O Século” (1940), com fotografias de explosões da Guerra Colonial Portuguesa publicadas na internet. A par da negação do uso de ‘napalm’ nas antigas colónias portuguesas, parte-se da explosão como ícone visual discursivo. Ancorados nos conceitos de ‘explosão’ de Lotman (1999) e ‘sublime’ de Burke (1757), interroga-se o registo do horror, a sua estetização e a relação semântica denotativa e simbólica conotativa entre imagem-palavra. A intervenção manual através da pintura azul-cobalto no conjunto de imagens desafia o limite do visível e do invisível, na fotografia, cruzando de forma interdisciplinar investigação e criação artística, censurando, assim, critica e retoricamente este não-acontecimento.
- Produção de elipses e hipérboles na biografia cinematográficaPublication . Fontoura, Ana Priscila; Baptista, Adriana; Martins, Filipe; Morais, AntónioNa construção da biografia (vida escrita), a genealogia, frequentemente suportada por razões históricas e políticas, enquanto ciência, valoriza a investigação, para a produção de uma árvore híper-informativa, representando alegoricamente a família, com lacunas eventuais por carência de informação, no entanto, o texto literário, suportado pela apresentação icónica do real ou da ficção, valoriza para a biografia a retórica verbal capaz de desenhar o clímax (marcado por causas e consequências) e o segredo (marcado pelo tabu, ou pela ocultação, dissimulação ou disfarce).
