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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A internacionalização das empresas familiares tem vindo a ganhar destaque na literatura, sobretudo em virtude dos desafios específicos que estas organizações enfrentam no acesso e
consolidação em mercados externos. A proximidade relacional, a aversão ao risco e a preservação da riqueza socio-emocional (SEW) condicionam as suas decisões estratégicas, nomeadamente no
que diz respeito à expansão internacional. Neste contexto, a capacidade de gestão ambidestra – a aptidão para equilibrar simultaneamente atividades de exploração (exploration) e de eficiência
(exploitation) – assume particular relevância, ao permitir que estas empresas conciliem inovação com estabilidade. Da mesma forma, as redes sociais desempenham um papel determinante, sendo
os laços fortes e fracos elementos-chave no acesso a recursos, informação e oportunidades. Sendo assim, este estudo tem como objetivo analisar a influência dos laços fortes e fracos no
processo de internacionalização das empresas familiares portuguesas. Simultaneamente, procurase avaliar o papel moderador da ambidestria organizacional, entendida como a capacidade de
integrar de forma equilibrada práticas de exploration e exploitation, potenciando uma abordagem estratégica mais flexível e adaptativa no contexto internacional.
Recorreu-se a uma metodologia de natureza quantitativa, com base numa amostra inicial de 639 empresas identificadas a partir do Sistema de Análise de Balanços Ibéricos (SABI). A recolha de
dados foi realizada através da aplicação de um inquérito por questionário, tendo sido obtidas 101 respostas, das quais 69 foram consideradas válidas para análise. Os dados recolhidos foram
tratados através de Análise Fatorial Exploratória (AFE) e da Análise de Equações Estruturais (AEE) com recurso ao software SmartPLS.
Os resultados indicam que tanto os laços fortes como os laços fracos influenciam positivamente a internacionalização das empresas familiares, embora com magnitudes distintas. Os laços fracos
revelaram-se particularmente relevantes pelo acesso que proporcionam a informação nova e não redundante, bem como a oportunidades externas, enquanto os laços fortes contribuem através da
criação de confiança, estabilidade e suporte relacional. Para além disso, verificou-se que a ambidestria organizacional reforça esses efeitos, funcionando como uma alavanca estratégica que
permite às empresas familiares capitalizar eficazmente os seus recursos relacionais em contextos internacionais de maior complexidade e incerteza.
Este trabalho contribui para o avanço teórico no domínio da teoria das redes e do capital social, ao integrar a variável moderadora da ambidestria organizacional no estudo da internacionalização
das empresas familiares. Do ponto de vista prático, oferece implicações relevantes para os gestores de pequenas e médias empresas (PME) familiares, sublinhando a importância de
desenvolver competências ambidestras e de investir estrategicamente em redes sociais diversificadas. Por fim, propõe recomendações para políticas públicas orientadas para a
capacitação estratégica e relacional deste tipo de empresas, promovendo a sua competitividade e sobrevivência nos mercados internacionais.
Descrição
Palavras-chave
ambidestria organizacional capital social empresas familiares internacionalização laços sociais
