Percorrer por data de Publicação, começado por "2026-09-25"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Rasto do papel azul : o arquivo fotográfico de Maria e Emílio Cruz (1950 -1969)Publication . Pardilhó, Raquel Pacheco; Leal, João; Alves, CesárioEste trabalho apresenta uma investigação artística e teórica sobre a fotografia vernacular como dispositivo de memória e de construção de narrativas identitárias. O objetivo central é analisar o arquivo fotográfico familiar da minha avó e do meu tio-avô - Maria Cruz e Emílio Cruz -, situando-o no contexto político e social do Estado Novo e da Guerra Colonial Portuguesa. A problemática foca-se na tensão entre o visível (o documento) e o vivido (a memória mediada pela oralidade), procurando compreender como estas imagens operam enquanto instrumentos de preservação e, simultaneamente, de silenciamento de traumas familiares e coletivos. A metodologia adotada é híbrida, cruzando o enquadramento teórico com procedimentos práticos de foto-elicitação e catalogação técnica em suporte digital. Foram realizadas entrevistas onde as fotografias serviram de estímulos narrativos para reativar memórias latentes dos protagonistas. No plano técnico, a investigação evoluiu da digitalização para a re-fotografia digital em ambiente doméstico (sobre superfícies como sofás, mesas, chão e vestuário), uma opção estratégica para resgatar tridimensionalidade, a tatilidade e a aura dos objetos originais. Os resultados materializam-se num grupo selecionado de 33 fotografias e numa série de vídeos documentais contemplativos. Em determinados momentos marcantes, estes vídeos utilizam o ecrã negro durante relatos de trauma – como as feridas e traumas de guerra e perda de familiares – funcionando como um silêncio visual que respeita o indizível e convida o espectador a meditar sobre o que acabou de ouvir. Conclui-se que o arquivo fotográfico familiar constitui um dispositivo vivo e relacional que permite que diferentes gerações se sentem à mesa para reinterpretar o passado, transformando a memória individual em algo partilhado. A investigação demonstra que o regresso ao arquivo fotográfico privado é um gesto de resistência ao esquecimento, validando a micro-história como ferramenta essencial para confrontar discursos de branqueamento do passado ditatorial português.
