Percorrer por autor "Oliveira, Ricardo Amaral"
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- A Contabilidade na Irmandade de São Crispim e São Crispiniano do Porto (1861-1886)Publication . Oliveira, Ricardo Amaral; Oliveira, Helena Maria da Costa; Lima, Armindo Fernando SousaEsta dissertação analisa as práticas contabilísticas da Confraria de São Crispim e São Crispiniano do Porto entre 1861 e 1886. Examina a organização do sistema contabilístico da Confraria, os livros contabilísticos utilizados e as suas funções, a composição das receitas e despesas, o grau de aproximação das suas práticas às práticas contabilísticas conhecidas da época, a forma como a informação contabilística apoiava a administração religiosa, assistencial e patrimonial da Irmandade, e o modo como, à luz da teoria da contingência, fatores institucionais, administrativos e contextuais ajudam a justificar as práticas contabilísticas adotadas. Metodologicamente, a investigação adota uma abordagem qualitativa e interpretativa, desenvolvida através de um estudo de caso histórico baseado em fontes arquivísticas primárias conservadas na Irmandade, nomeadamente os livros de receita e despesa, o livro de contas de legados, o inventário de bens móveis, o livro do tesoureiro e o livro de receita e despesa da obra da capela. Os resultados revelam que a Irmandade utilizava um sistema de contabilidade tecnicamente simples, baseado principalmente na contabilidade de partida única e no registo de receitas, despesas e saldos. No entanto, esta simplicidade coexistia com necessidades administrativas complexas. Os registos contabilísticos revelam o tratamento autónomo do legado de João Cardoso de Miranda e Maria Carneira, a numeração dos documentos comprovativos no Livro do Tesoureiro, a utilização de registos mensais, a elaboração de inventários sem avaliação monetária sistemática e o acompanhamento separado da construção da nova capela, que exigiu um grande investimento financeiro. O estudo conclui que a contabilidade na Confraria não era meramente um registo de movimentos financeiros. Funcionava como um instrumento de administração, controlo, prestação de contas e continuidade institucional, adaptado às necessidades específicas de uma organização religiosa do século XIX. Ao fazê-lo, esta dissertação contribui para a história da contabilidade nas instituições religiosas portuguesas e destaca a relevância dos registos contabilísticos arquivísticos para a compreensão das práticas organizacionais no seu contexto histórico.
