Percorrer por autor "Melro, Paula Cristina Paiva"
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- Selecção do melhor descolorante para a eliminação da cor residual num efluente têxtilPublication . Melro, Paula Cristina Paiva; Morais, Cristina; Quelhas, LuísA indústria têxtil consome quantidades consideráveis de água durante os processos de tingimento e acabamento. Os corantes são usados extensivamente e os efluentes descarregados no rio ou enviados para tratamento são altamente contaminados. A visibilidade de cor nos cursos de água pode provocar, para além do mau aspecto visual, forte interferência nos processos fotossintéticos naturais. Assim, com este trabalho pretendeu-se seleccionar o descolorante mais eficaz na eliminação da cor de efluentes têxteis reais pela metodologia jar-test. Foram usados neste estudo os efluentes reais de três empresas têxteis (A, B e C) e um outro, que se tratava de uma mistura de um efluente industrial têxtil com esgoto doméstico. As recolhas das amostras foram efectuadas ao longo de doze semanas nas respectivas empresas e na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) onde a referida mistura de efluentes era tratada. Os descolorantes que foram testados são 9 produtos da Quimitécnica de entre os quais, o Superfloc C 592 e o Optifloc 340 em solução com PAX 18, BWD 01 e o Sinorfloc DSM, da ETAR foi usado um descolorante denominado por produto X. Nas empresas os descolorantes designados por produto F e produto X, foram comparados com os da Quimitécnica. Numa primeira fase, iniciaram-se os ensaios de coagulação/floculação com o efluente recolhido na ETAR. Os ensaios foram realizados com os descolorantes da Quimitécnica e, após análise do seu comportamento perante o efluente real, compararam-se os resultados com os obtidos nos ensaios realizados com o descolorante usado actualmente na ETAR (produto X). Os melhores resultados foram obtidos com o descolorante 340/18/55, na 10ª semana, com uma percentagem de remoção de sólidos suspensos totais (SST) de 96%, de 91% na carência química de oxigénio (CQO) e de 87% na cor. Relativamente ao tratamento e deposição das lamas, este descolorante apresentou um custo total associado de 28.892,46 € enquanto que com o produto X o custo foi de 32.471,68 €. No que diz respeito ao efluente da empresa A, dos descolorantes testados (produto F, X, R, 340/18/10, 340/18/25, 92/18/50, 340/18/55, BWD 01, 340 e Sinor Floc ), aquele que conduziu aos melhores resultados foi também o 340/18/55. Apesar de não ter atingido uma grande percentagem de remoção de SST, (19%), foi possível alcançar boas percentagens de remoção nos outros parâmetros (82% para cor e CQO). O índice volumétrico de lamas, IVL, obtido (23 ml/l) foi superior ao dos outros descolorantes, indiciando a sua maior capacidade de remoção. No que diz respeito à empresa B, o seu efluente apresentou grandes dificuldades de descoloração, não sendo possível apontar apenas um dos descolorantes com melhor desempenho. Assim considera-se que os produtos possíveis de remover a cor ao efluente desta empresa seriam o produto F e os descolorantes 340/18/55 e 340/18/25. Relativamente ao efluente da empresa C, e uma vez que as condições de amostragem não permitiram obter uma amostra representativa, os resultados obtidos não foram considerados. Além dos parâmetros já referidos e que determinaram a selecção dos descolorantes dos diferentes efluentes, analisaram-se ainda outros, nos clarificados após os ensaios de coagulação/floculação, e nos efluentes brutos. Determinou-se o pH, CQO, condutividade, SST, sólidos suspensos voláteis (SSV), alcalinidade, cor, fósforo, azoto Kjeldhal e IVL. Comprovou-se que o efluente da ETAR é mais fácil de se descolorar, conseguindo- -se melhores percentagens de remoção dos parâmetros analisados do que com os efluentes das empresas. Isto acontece porque o efluente da ETAR não é apenas efluente têxtil. O facto de ser também composto com efluente doméstico faz com que o pH do efluente final seja mais baixo, tornando-se mais fácil a remoção dos parâmetros devido à gama de trabalho do descolorante. Por fim, verifica-se que em nenhum dos ensaios ao longo do trabalho experimental foi possível atingir as condições ideais pretendidas: a dose mínima de descolorante, um IVL baixo e um clarificado muito bom apresentando, portanto, um valor de cor baixo e um teor de CQO também baixo.
