Percorrer por autor "Oliveira, Ana Rita Alonso da Silva Pinto de"
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- Estratégias de Mitigação de Impactes no Setor Automóvel - Revisão de Estudos de Avaliação de Ciclo de VidaPublication . Oliveira, Ana Rita Alonso da Silva Pinto de; Caetano, Nídia de SáA presente dissertação representa o trabalho desenvolvido na empresa ISQ (Instituto de Soldadura e Qualidade), em conjunto com o ISEP, no contexto da unidade curricular Dissertação/Projeto/Estágio do Mestrado em Energias Sustentáveis. O foco desta dissertação foi o estudo de medidas que permitam a mitigação das alterações climáticas originadas pelo setor automóvel, sendo este setor um dos maiores responsáveis pelas emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Foram estudadas três estratégias com potencial de redução dos impactes ambientais: seleção do sistema de propulsão, aplicação de materiais leves e cenários de fim-de-vida (FdV). Para isto foi conduzida uma revisão sistemática da literatura relativa ao setor automóvel que aplicasse a avaliação de ciclo de vida (ACV) a pelo menos uma das três estratégias mencionadas, segundo uma das duas categorias de impacte: consumo primário de energia (CPE) e potencial de aquecimento global (PAG). O valor desta dissertação encontra-se, sobretudo, na análise simultânea de diferentes artigos com diferentes características, ultrapassando obstáculos, como: diferentes casos de estudo, distância percorrida, cenários de FdV, limitações do sistema e diferente formatação de resultados. Desta forma, é possível identificar as opções mais benéficas e mais prejudiciais no ciclo de vida (CV) do veículo e quais os pontos sensíveis em cada estratégia, disponibilizando impactes quantificados que podem vir a ser aplicados noutros estudos, dados estes difíceis de encontrar sistematizados na literatura. O sistema de propulsão demonstra como as alternativas eletrificadas têm potencial na redução de impactes, principalmente, na fase de utilização. Contudo, a sua etapa produtiva, contrariamente aos convencionais, tem associados elevados impactes, devendo-se isto, sobretudo, às baterias de ião lítio (Li-ion) onde as alternativas 100% eletrificadas apresentam os maiores impactes. Conclui-se que quanto maior a distância percorrida, maiores as vantagens ambientais associadas à utilização das opções eletrificadas relativamente às opções convencionais. Os aspetos mais sensíveis identificados incluem o mix energético do país onde é realizado o estudo, modo de obtenção do hidrogénio (H2) para as alternativas movidas a H2, fator de utilidade (FU) dos veículos híbridos plug-in e combustível utilizado para os veículos que o utilizam, devendo priorizar-se os biocombustíveis relativamente ao gás natural, gasolina e diesel. Os materiais leves também apresentam potencial relativamente aos convencionais/ pesados, contudo nem sempre os superam. Isto deve-se a quão intensiva é a sua fase de produção, que, por exemplo, para os compósitos inibe o seu bom desempenho na fase de utilização, enquanto os materiais convencionais apresentam impactes significativamente inferiores. No entanto, os materiais alternativos não só têm uma fase de utilização bastante menos intensiva, como também alcançam compensações superiores no FdV. Também nesta estratégia o aumento da distância percorrida, provoca uma melhoria no desempenho das alternativas inovadoras. Os aspetos que merecem uma atenção especial na aplicação de materiais alternativos compreendem: redimensionamento do sistema de propulsão, reduções secundárias de massa, abordagem ACV selecionada, contexto/país onde são produzidos os materiais, incorporação de materiais secundários na produção de componentes e cenários de FdV aplicados. A análise da estratégia de FdV permitiu reforçar a potencialidade dos materiais alternativos nesta etapa relativamente aos convencionais. Os impactes para cada material dependem consideravelmente do cenário de FdV selecionado, verificando-se uma elevada amplitude nos resultados obtidos. Parâmetros como a inclusão de material biológico e reciclado na produção dos componentes e abordagem selecionada para a ACV também afetam os impactes quantificados. A análise desta estratégia permite concluir que a melhor alternativa acaba por depender mais do cenário de FdV do que do material selecionado. A etapa de produção das alternativas inovadoras, tanto para o sistema de propulsão como para os materiais leves, deve ser um tema a expandir de forma a desenvolver tecnologias que permitam a redução dos seus impactes ambientais. Também a identificação dos melhores contextos para utilização de determinados sistemas de propulsão e produção de certos materiais alternativos deve ser efetuada. As tecnologias de FdV comprovaram a elevada influência no ciclo de vida total dos componentes, merecendo assim ser estudadas no âmbito da economia circular, desenvolvendo procedimentos avançados com potencial de redução nos impactes. O ideal seria a implementação das três estratégias em simultâneo, sendo benéfico, para isto, um estudo da perspetiva de CV de um veículo onde estas fossem aplicadas. Aqui seria considerada a combinação de diferentes tecnologias, avaliando diferentes caminhos e respetivas compatibilizações de alternativas entre estratégias que permitissem as maiores reduções nos impactes ambientais no CV do veículo. A nível nacional deve ser estudado e aprofundado o promissor mix energético que identifica Portugal como um bom contexto para implementação das tecnologias eletrificadas, mitigando assim os impactes ambientais associados ao setor automóvel. Para além disto, deve ser analisada a margem de crescimento de Portugal na produção automóvel, dada a sua dimensão neste âmbito e, por isso, responsabilidade associada.
