Percorrer por autor "Fernande, Mariana de Oliveira"
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- O papel da montagem na criação de atmosferas oníricas no cinema: o caso da curta-metragem “Os Seres Cantarão”Publication . Fernande, Mariana de Oliveira; Lopes, FilipeO seguinte ensaio discute a montagem cinematográfica como elemento na construção de Atmosferas, aplicando ao contexto do projeto Os Seres Cantarão (2025). Atmosfera entende-se como um fenómeno subjetivo, resultante da relação entre obra e espectador. Nesse sentido, sabendo-se que a montagem organiza o tempo e o espaço, é possível afirmar que pode afetar a dimensão sensorial do espectador. Enquanto o espaço é delimitado por elementos concretos, como objetos e enquadramentos, o tempo é intangível, permitindo uma manipulação complexa deste. A montagem explora essa capacidade, controlando ritmos, promovendo continuidade ou provocando ruturas, de modo a influenciar não apenas a narrativa, mas a experiência sensorial e emocional do espectador. Esta função assume maior relevância no cinema pós-clássico, marcado por narrativas fragmentadas, suspensões e dilatações temporais, que ampliam a subjetividade e favorecem a criação de atmosferas densas e complexas. Filmes como Valerie and Her Week of Wonders (1970) e Picnic at Hanging Rock (1975) ilustram essa abordagem sensorial, utilizando manipulações temporais e visuais para intensificar a experiência subjetiva. No caso de Os Seres Cantarão (2025), essas reflexões ajudaram a compreender as escolhas de montagem voltadas para o tempo ambíguo e para a revelação das tensões emocionais entre personagens. Técnicas como dissolve, sobreposições e cortes sonoros foram usadas não apenas como recursos formais, mas como estratégias na tentativa de intensificar a atmosfera, manipular a perceção temporal e expandir a experiência do espectador consolidando a montagem como instrumento essencial na criação de sensações e afetos cinematográficos.
