Percorrer por autor "Couto, Eduardo Gabriel Baptista"
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- RESIstências: Inverter os desenraizamentos a partir de uma Residência UniversitáriaPublication . Couto, Eduardo Gabriel Baptista; Timóteo, Isabel OliveiraO presente Projeto em Educação Social foi desenvolvido numa residência universitária pública, situada no centro da cidade do Porto. Este espaço é habitado e vivido por mim próprio, que assumo simultaneamente os papéis de residente e de investigador. Este facto, desafiante e enriquecedor, exigiu uma reflexão e vigilância quanto aos pressupostos e procedimentos, sobre os quais daremos conta ao longo do relatório nos seguintes capítulos. O projeto parte, essencialmente, da real necessidade de contrariar a fragmentação das relações interpessoais e o que se pode considerar por sensação de anonimato, que progressivamente se instalou entre aqueles que residem neste espaço. Este contexto é, ainda, particularmente marcado por processos de gentrificação, neoliberalização das políticas sociais e uma crescente desresponsabilização institucional. Por via de uma abordagem metodológica crítica, sustentada na Investigação-Ação Participativa, e com base nos demais princípios da escuta ativa, da horizontalidade e da coautoria, foram promovidas diversas ações que procuram reforçar e fortalecer os laços comunitários. Urge, também por via do presente projeto, reforçar o sentimento de pertença e ainda a apropriação coletiva dos espaços comuns e comunitários envolventes. O projeto revelou-se, assim, um exercício de resistência simbólica e afetiva, claramente mais centrado nos processos do que nos resultados imediatos, onde a convivência diária ganhou centralidade no presente projeto. Apesar de desafios (como a ausência de envolvimento mais robusto e o ritmo/motivação desigual de participação entre os residentes), o projeto produziu impactos mensuráveis, seja por via da revalorização dos vínculos, pela abertura à discussão coletiva, assim como o desejo de continuidade, ou então, a emergência de propostas concretas de reestruturação de formas de estar e atuar. O projeto afirma-se, assim, como uma prática enraizada, ética e transformadora, que não pretende indicar caminhos pré-feitos a ninguém, mas criar tempo e espaço para que os sujeitos se reconheçam como verdadeiros agentes de mudança.
