Percorrer por autor "Bastos, Mariana Filipa Ribeiro"
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- Diferenças de género nas preferências sobre aspetos não monetários do trabalho e as consequências na progressão de carreiraPublication . Bastos, Mariana Filipa Ribeiro; Pereira, Adalmiro Alvaro Malheiro de Castro Andrade; Silva, Maria de Lurdes Vasconcelos Babo eApesar dos progressos alcançados ao longo do último século, a sub-representação das mulheres no mercado de trabalho mantém-se, sobretudo em setores tradicionalmente dominados por homens. Perante esta realidade, têm sido desenvolvidas diversas diretrizes orientadas para a promoção da igualdade de género, assumindo o Estado português, particularmente no período pós-25 de abril, um papel progressivamente mais ativo no combate à discriminação em contexto laboral. Neste enquadramento, a presente dissertação analisa as diferenças de género na valorização de fatores não monetários do trabalho e as suas implicações na progressão de carreira. Partindo do pressuposto de que as desigualdades no mercado de trabalho não se explicam apenas pelas disparidades salariais, o estudo centra-se em dimensões como a estabilidade no emprego, a conciliação entre a vida profissional e familiar, as oportunidades de progressão e as estruturas hierárquicas organizacionais. São igualmente analisadas as barreiras que persistem à concretização da igualdade de género, bem como as estratégias identificadas na literatura para a sua superação. Adicionalmente, é examinado o carácter paradoxal da Administração Pública enquanto contexto organizacional, marcado por um forte enquadramento legal em matéria de igualdade de género e por práticas de progressão profissional mais rígidas, em comparação com o setor privado. A investigação adota uma abordagem quantitativa, recorrendo à recolha de dados através de um questionário destinado a indivíduos com experiência profissional. Conclui-se que, embora as diferenças de género não se tenham traduzido em resultados estatisticamente significativos na maioria das hipóteses testadas, persistem desigualdades subtis nas organizações. A parentalidade emerge como um fator transversal de dificuldade na progressão profissional, afetando de forma generalizada, contudo com maior impacto nas mulheres. O apoio organizacional à conciliação entre trabalho e vida familiar destaca-se como o principal fator que promove a progressão na carreira, independentemente do género e do setor de atividade. As políticas de igualdade de género revelam exercer um efeito indireto, ao contribuírem para a redução da discriminação percebida e, consequentemente, das barreiras à progressão, embora a sua eficácia dependa da forma como são efetivamente implementadas e experienciadas pelos colaboradores. Por fim, verifica-se que tanto os fatores monetários como os não monetários são amplamente valorizados pelos profissionais, sem diferenças significativas entre géneros, sendo este resultado interpretado com cautela, atendendo às limitações associadas à dimensão da amostra.
