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REPOSITÓRIO P.PORTO

Repositório Científico do Politécnico do Porto

 

Entradas recentes

Pigmentos de cianobactérias para coloração industrial: funcionalidades e benefícios para a saúde
Publication . Reimão, Mariana; Almeida, Liliana; Vasconcelos, Vítor; Silva, Manuela Vieira da; Freitas, Marisa; Freitas, Marisa
O impacto negativo, a nível ambiental e na saúde humana, dos corantes sintéticos é reconhecido por vários setores industriais, incluindo o têxtil, o alimentar e o cosmético, levando à procura de alternativas naturais mais seguras e sustentáveis1. As cianobactérias, consideradas os organismos mais antigos na Terra, são seres fotoautotróficos que podem estar presentes em diversos ambientes, mesmo em condições extremas. A produção de pigmentos por cianobactérias, como as clorofilas, os carotenoides e as ficobiliproteínas, tem sido amplamente estudada a nível mundial2. Este estudo teve como objetivo analisar as características dos pigmentos de cianobactérias para fins de coloração sustentável, destacando também os benefícios para a saúde decorrentes da sua aplicação. Realizou-se uma revisão da literatura, com recurso a várias bases de dados científicas, como a Web of Science, a b-on e o Google Scholar. A pesquisa foi realizada no ano de 2023, tendo sido incluídos os artigos enquadrados no tema, após análise do título e do resumo. De acordo com os estudos analisados, os aspetos que mais contribuem para a vasta aplicação industrial dos pigmentos de cianobactérias estão relacionadas com: a sensibilização dos consumidores para opções mais sustentáveis, bem como a procura por produtos naturais; a disponibilidade de uma extensa paleta de cores; o risco reduzido de efeitos adversos para a saúde em comparação com os seus homólogos sintéticos; a conformidade com a regulamentação ambiental; e a ampla gama de propriedades bioativas. Em termos de benefícios para a saúde, no geral, os pigmentos de cianobactérias são descritos como compostos anti-inflamatórios, antioxidantes, anti-obesidade, antienvelhecimento, anti-cancerígenos, anti-microbianos, anti-diabéticos, neuroprotetores, hepatoprotetores e fotoprotectores, demonstrando a sua aplicabilidade na indústria farmacêutica, nutracêutica, alimentar e cosmética. Para além dos efeitos positivos na saúde humana, a utilização destes pigmentos tem um reduzido impacto ambiental quando comparado com os equivalentes sintéticos. Em suma, os pigmentos de cianobactérias revelam um elevado potencial como alternativas sustentáveis aos corantes sintéticos, conciliando segurança, funcionalidade e benefícios para a saúde com um menor impacto ambiental, o que reforça o seu valor estratégico para uma indústria mais verde e inovadora.
Cianobactérias e cianotoxinas no contexto One Health: desafios regulatórios e de gestão
Publication . Barbosa, Rui; Freitas, Marisa; Ruivo, Manuela; Campos, Alexandre
As florescências de cianobactérias e as respetivas cianotoxinas representam um risco à saúde humana, animal e dos ecossistemas, enquadrando-se no “One Health”. Potenciadas pela eutrofização e pelas alterações climáticas, estas ocorrências comprometem a qualidade de água e perturbam processos ecológicos e biogeoquímicos. As principais cianotoxinas, icluem microcistinas, cilindrospermopsinas, anatoxina-a e saxitoxina, com efeitos hepáticos, imunotóxicos e neurológicos. Este estudo analisa os impactos das cianobactérias e cianotoxinas nas três dimensões One Health, identificando os principais desafios regulamentares. Realizou-se uma revisão bibliográfica sobre a integração deste tema no enquadramento One Health e uma análise crítica da legislação e orientações nacionais e internacionais. A pesquisa incluiu publicações científicas nas bases de dados Scopus, Web of Science e PubMed, abrangendo artigos publicados entre 2010 e 2024. Resultados: A exposição humana pode ocorrer através do consumo de água contaminada, contacto dérmico ou ingestão de alimentos provenientes dos ecossistemas afetados. Nos animais, a exposição ocorre sobretudo pela ingestão de água e alimentos contaminados, manifestando-se na mortalidade de gado, animais domésticos e selvagens. A nível ambiental, ocorrem variações na biomassa de fitoplâncton, promovendo a formação de zonas hipóxicas, comprometendo funções ecológicas dos ecossistemas. Estes fenómenos acarretam perdas económicas, incluindo custos acrescidos no tratamento de água, perdas na produção agropecuária e piscícola, no turismo e na recuperação dos ecossistemas. A nível Europeu, o limite para microcistina-LR na água de consumo é 1 µg/L, com gestão de risco ao longo do sistema de abastecimento, sem valores definidos para outras cianotoxinas. Em Portugal, este limite é adotado, sendo a monitorização intensificada quando densidade de cianobactérias potencialmente produtoras de toxinas excede 2.000 células/mL. Para águas recreativas, prevê-se que a presença de florescências seja sinal de alerta, cabendo aos serviços de saúde pública avaliar o risco e implementar medidas de gestão adequadas, mesmo na ausência de valores quantitativos regulamentares. No que concerne às águas de irrigação, tanto a nível nacional como Europeu, a legislação não define parâmetros específicos, evidenciando lacunas. Estas constatações evidenciam a necessidade de uma gestão integrada e multidisciplinar, combinando monitorização, avaliação e comunicação intersectorial, para mitigar os efeitos das cianobactérias e cianotoxinas, garantindo a proteção dos princípios One Health.
Educação ilustrada vs Fisioterapia clássica no ensino de boas posturas em crianças
Publication . Ribeiro, Andrea; Bonfanti, Mathieu; Cheuzeville, Benjamin; Delys, Marylou; Planes, Léo
A educação postural precoce pode prevenir problemas músculo-esqueléticos, mas permanece incerta a modalidade pedagógica mais eficaz em contexto escolar. Comparar o impacto de uma intervenção enquadrada por um fisioterapeuta (FT) versus um suporte ilustrado (IL) na aquisição de conhecimentos posturais em crianças dos 8–12 anos. Metodologia: Estudo quase-experimental, de dois braços paralelos, não randomizado, com alocação por turmas em duas escolas (amostragem por conveniência). Participaram n=37 alunos (IK n=21; IL n=16), incluídos mediante consentimento dos encarregados de educação. O protocolo integrou três sessões presenciais com intervalo semanal (postura sentada; postura de pé; transporte de carga/saco e sono) e cinco momentos de avaliação por autoquestionário. O desfecho primário foi um score 0–10, composto por 10 itens agregados em três domínios: sentada (3), de pé (3) e SOS—saco, objeto e sono (4). Foi aplicado plano estatístico apropriado à distribuição (α=0,05). O questionário final foi aplicado várias semanas após a última sessão, permitindo estimar retenção de curto prazo. Resultados: Ambos os grupos melhoraram o score global (ganho médio +2,19 pontos). Entre grupos, o score final favoreceu IK (U=248, p=0,008; d=0,476), tal como o domínio SOS (p=0,017; d=0,375). Intragrupos, observaram-se melhorias significativas no score global (IK: t=5,108; p<0,001; IL: t=4,10; p<0,001) e nos domínios sentada e SOS; de pé não apresentou mudanças significativas (IK p=0,062; IL p=0,803).Os dois métodos de ensino explorados neste estudo são de interesse definitivo. De um modo geral, a intervenção de um profissional de saúde parece ser mais adequada para incentivar a aprendizagem prática, enquanto o apoio ilustrado é uma alternativa complementar, acessível em contexto escolar. No entanto, os efeitos positivos dos conhecimentos adquiridos e dos hábitos posturais observados neste estudo não podem ser generalizados a toda a população devido ao fraco poder do estudo e ao elevado risco de enviesamento. Futuras investigações devem incluir amostras maiores, medidas objetivas e determinantes psicossociais.
Influência do alinhamento do pé nos Ajustes Posturais Antecipatórios em crianças com Paralisia Cerebral
Publication . Geraldo, Nathalie; Machado, Sónia; Silva, Cláudia; Santos, Rubim; Rubim Silva Santos, Manuel
A dificuldade na organização dos ajustes posturais antecipatórios (APAs) é frequentemente associada ao défice de controlo postural em crianças/jovens com um quadro motor de hemiplegia espástica, resultante de paralisia cerebral. As alterações biomecânicas da tibiotársica e do pé são características comummente observadas nestas crianças/jovens e influenciam o CP na sua globalidade. Descrever o comportamento dos APAs associados ao início da marcha, face à modificação do alinhamento do pé em crianças/jovens com hemiplegia espástica, após 12 semanas de intervenção, segundo o Conceito Bobath e aplicação de uma Ligadura Funcional (LF). Métodos: Foram avaliadas quatro crianças/jovens num momento inicial (M0) e após 12 semanas de intervenção e de aplicação de uma LF (M1). Recorrendo à eletromiografia de superfície, registaram-se os timings de ativação dos músculos tibial anterior, solear, reto abdominal e eretor da espinha (bilateralmente). O início do movimento foi calculado a partir da alteração do sinal obtido através da plataforma de pressões. Recorreu-se à aplicação da TMFM-88 para avaliar a função motora global e à aplicação da CIF-CJ para classificar a funcionalidade mediante as atividades e a participação. Procedeu-se ao registo de imagem para facilitar a observação/avaliação das componentes de movimento das crianças/jovens em estudo. Após o período de intervenção, verificou-se uma modificação nos valores dos timings de ativação dos músculos em análise, que se aproximaram da janela temporal definida como APAs, bem como na distribuição de carga na base de suporte, nos scores da TMFM-88 e nos qualificadores das “Atividades e Participação”, indicativos de uma melhor organização dos mecanismos de controlo postural. As crianças/jovens em estudo evidenciaram, após uma intervenção de fisioterapia baseada no Conceito Bobath aplicação de uma LF, uma evolução favorável tanto ao nível do CP da tibiotársica e do pé, apresentando timings de ativação muscular temporalmente mais ajustados à tarefa, com repercussões positivas nas atividades e participação.
Efeito imediato da inibição dos suboccipitais na disfunção temporomandibular: Série de casos
Publication . Lopes, Sofia; Rocha, Patrícia; Costa, João; Carvalhais, Alice; Vieira, Ágata; Brochado, Gabriela; Lopes, Sofia
A Articulação Temporomandibular (ATM) é essencial para funções como mastigação e fala, podendo apresentar disfunções (DTM) de origem multifatorial, associadas a dor e limitação funcional. A sua relação estreita com a coluna cervical integra o complexo craniocervical, sendo a fisioterapia eficaz no alívio da dor e na melhoria da função. Avaliar o efeito imediato da técnica de inibição dos músculos suboccipitais na endurance dos músculos flexores profundos da cervical e no limiar de dor à pressão (LDP) em indivíduos com DTM. Estudo descritivo - série de casos, em 5 indivíduos com DTM, recrutados numa Clínica de Fisioterapia, foram excluídos indivíduos com patologia do quadrante superior. Utilizou-se um questionário de caracterização da amostra, o Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders, e o Índice Anamnésico de Fonseca. Realizaram-se duas avaliações, antes e imediatamente após a aplicação da técnica de inibição dos suboccipitais (pressão suave e sustentada aplicada com os dedos do fisioterapeuta bilateralmente na musculatura da região suboccipital, promovendo o relaxamento da mesma). Avaliou-se a endurance dos flexores profundos da cervical, o LDP em dois pontos do músculo Temporal e dois do músculo masseter. Foi realizada uma análise descritiva. Dos cinco casos analisados, observou-se um caso de DTM severo, um moderado e três leves. Após a intervenção, uma participante aumentou 2mmHg no teste de flexão crânio cervical, não tendo os restantes participantes apresentado nenhuma alteração após a aplicação da técnica. Nos pontos do músculo temporal, verificou-se um aumento do LDP na maioria dos casos, com variações entre 0,18 e 1,47 kgf/cm². Nos pontos do músculo masseter, registaram-se igualmente aumentos discretos, com diferenças entre 0,82 kgf/cm² e 1,06 kgf/cm², sendo mais evidente nos indivíduos com maior gravidade de DTM. Conclusões: Na endurance dos flexores profundos da cervical somente ocorreu efeito positivo em um dos casos apresentados. A técnica de inibição dos músculos suboccipitais parece ter produzido um efeito positivo no LDP. O estudo realizado não permite a generalização de resultados pelo que se sugere a realização de estudos com maiores níveis de evidência, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada desta temática, reforçando a sua relevância científica e clínica.