Pereira, Ana CláudiaFernandes, RúbenBaylina, PilarSantos, Rejane Viana dos2024-01-292024-01-292023-11-29http://hdl.handle.net/10400.22/24775A obesidade é uma doença metabólica crónica definida pelo excesso de gordura e hipertrofia do tecido adiposo e está associada a elevados riscos de saúde. Na atualidade, a obesidade é considerada um dos mais prevalentes problemas de saúde pública e com taxas de mortalidade a disparar. Autores sugerem que a obesidade é uma doença “adquirida” com fatores etiológicos complexos. Estudos recentes demonstraram que mais de 40% dos pacientes com cancro gastrointestinal estão acima do peso e que a obesidade é o principal fator de risco extrínseco para cancro colorrectal. Pois, a metainflamação sustentada pelo tecido adiposo fornece lípidos circulantes, espécies reativas de oxigénio e metabolitos pró-inflamatórios cruciais no desenvolvimento e agressividade tumoral. De igual modo, existe forte associação entre doenças metabólicas e a microbiota intestinal, podendo esta funcionar como fator de predileção ou proteção para o CCR. Alterações positivas na microbiota intestinal com uso de probióticos pode produzir resposta protetora contra o CCR, assim, o objetivo deste trabalho é investigar o efeito de um probiótico de uso terapêutico e a sua atividade antitumoral em células de tumor intestinal expostas a condições de adiposidade. Inicialmente foram produzidos dois tipos de extratos: 1) conteúdo proveniente de um cocktail de bactérias probióticas, e 2) secretoma da diferenciação da linha celular 3T3-L1, pré-adipócitos de ratinhos. Para otimizar a diferenciação foram utilizados 10 μM de Pioglitazona num dos ramos da diferenciação dos pré-adipócitos. Seguidamente, foram realizados ensaios in vitro de viabilidade celular, migração e testes antioxidantes em linha celular Caco2, adenocarcinoma de cólon, utilizando os extratos referidos. Os ensaios foram realizados em triplicado, com 95% de IC. Os resultados apontaram que os dois extratos aumentaram a viabilidade no linha tumoral Caco2, sem identificação de efeito benéfico na proteção anti-tumoral neste modelo de doença. Contudo, o probiótico antepadamente à suplementação do secretoma previniu um potencial efeito agressor de migração celular, principalmente em contextos que melhor mimetizam obesidade (****p<0,0001). Além disso, observou-se efeito de proteção antioxidade em tumor de cólon, especialmente em duas condições a) que mimetizam tecido adiposo “normal” (** p<0,05) e b) adiposidade com inflamação (*p<0,05). Discussão: A utilização de probióticos promove alterações físico-químicas na microbiota intestinal, seja pelo aumento na produção de ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) ou aumento de componentes antitumorais e antimutagénicos, que influenciam positivamente na modulação imunológica. A suplementação probiótica ativa as defesas antioxidades, e é um dos fatores associados ao tumor de cólon, pois microbiota disbiótica promove estimulação de inflamação crónica pela produção acentuada de ROS que induzem danos ao DNA, ativação de oncogenes e inativação de genes supressores tumorais. Por fim, a Pioglitazona, apesar de ser um fármaco anti-diabético que reduz a resistência insulínica, está associado com a redução modesta de 9% no risco de desenvolvimento de CCR em pacientes com DMT2 com este tratamento. Este trabalho-piloto traz à luz alguns achados que poderão responder o porquê da modulação da microbiota intestinal com uso de probióticos ser uma estratégia alternativa para levar a melhorias da condição e estadio do tumor de cólon. Estudos adicionais são necessários para esclarecer o papel da Pioglitazona neste tipo de tumor e os metabolitos da obesidade que são atenuados pelo uso do probiótico.porCancro colorrectalMicrobiota intestinalProbióticosObesidadeUso de probióticos na proteção contra o cancro colorrectalmaster thesis203472900