Lamas, Maria CéuSilva, BárbaraPaul, ConstançaMontenegro, NunoRibeiro Lamas, Maria do Céu2025-04-012025-04-012018-10Lamas, M. C., Silva, B., Paúl, C., & Montenegro, N. (2018). Infecções associadas aos cuidados de saúde. As particularidades de um hospital psiquiátrico com doentes demenciados. Let’s Talk About Ageing - 1st International Conference - Conference Proceedings, 66–73. https://ageing.eventqualia.net/pt/2018/inicio/978-989-54102-0-4http://hdl.handle.net/10400.22/29916As infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) têm vindo a assumir cada vez mais importância, acompanhando o aumento da esperança média de vida, o avanço na tecnologia, o aumento de técnicas invasivas utilizadas e o número de doentes em terapêutica imunossupressora. Acresce fatores adicionais como a sobrelotação, a ausência de pessoal unicamente direcionado para doentes infetados, a transferência frequente de doentes nas unidades e serviços dos hospitais, 8 a resistência entre populações microbianas que constitui uma temática importante em contexto hospitalar e das IACS, sendo assim relevante estudar o perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos das estirpes isoladas. Neste contexto, foi desenvolvido um estudo observacional transversal descritivo com o objetivo de caracterizar as IACS num hospital psiquiátrico no ano de 2015. Para um total de infeções ocorridas nesse período (n=248), as IACS representam 24,60% (n=61) dessas infeções. Esta percentagem encontra-se acima da média global de prevalência apontada por estudos realizados pela Direção Geral de Saúde (10,6%). As IACS foram mais prevalentes em doentes do género feminino (70,49%) e distribuem-se por ITU e gastroenterites (44,26% cada). Foi no serviço de Psicogeriatria que ocorreu a maioria das IACS (45,90%), nomeadamente as ITUs (27,87%), provavelmente por ter o maior número de doentes idosos (42,62%) e, como tal, apresentam mais comorbilidades e internamentos prolongados. Segundo a OMS, a idade superior a 65 anos constitui um dos principais fatores de risco. Do total de ITU estudadas, os microrganismos mais prevalentes foram a E. coli (50,0%) e a Klebsiella pneumoniae (33,33%). Nas infeções gastrointestinais não foi possível proceder à recolha de fezes para exame microbiológico. A alteração da consistência fezes era muito rápida não dando tempo para colheita de fezes diarreicas para análise laboratorial. Situação que faz suspeitar de gastroenterites de origem vírica. Assim, para 88,89% destas infeções não houve resultado laboratorial. As pneumonias, prevalentes no género masculino, tinham na sua maioria resultado de hemocultura negativa (83,33%). Nestes casos foram realizados estudos laboratoriais adicionais: testes serológicos para pesquisa de Legionella e Mycoplasma e pesquisa do antigénio do S. pneumoniae, assim como pesquisa de Staphylococcus resistentes à meticiclina (MRSA) nasal. Os resultados obtidos foram negativos para todos os testes. A maioria dos microrganismos isolados apresentaram-se sensíveis a muitos antibióticos testados. Destaca-se a associação amoxicilina/ácido clavulânico e a gentamicina que apresentaram taxas altas de sensibilidade (77,78% e 96,15%, respetivamente). Todos apresentaram 100% de sensibilidade aos antibióticos ertapenem, piperacilina tazobactam (Pip/Tazo), cefotaxime, nitroforantoina, vancomicina e ceftazidime. Refere-se, contudo, a resistência do Staphylococcus aureus à eritromicina, clindamicina, oxacilina e gentamicina, mas sensível à vancomicina. É de salientar que 98,36% das IACS estão associadas as comorbilidades e ocorreram em indivíduos mais velhos, mais tempo internados (91,11% dos internamentos foram superiores a 7 dias), e com síndrome demencial (57,38%). 40,98% apresentavam outras comorbilidades, algumas relacionadas com o envelhecimento. O reduzido número de estudos sobre este tema em hospitais psiquiátricos, pode ser considerado um hiato, impossibilitando a comparação com instituições do mesmo cariz. Para reduzir as IACS será importante desenvolver acções na área da prevenção e controlo da transmissão cruzada de microrganismos. A adesão a campanhas nacionais – Campanha Nacional Higienização das Mãos e a “Clean Care is Safer Care”, a uma desinfecção mais efectiva dos serviços e eventual estudo de superfícies nos serviços considerados mais críticos, pode ser essencial para a diminuição da incidência destas infecções em prol da melhoria dos cuidados de saúde prestados.porInfeções associadas aos cuidados de saúdeComorbilidadesIdosoInternamentoInfecções associadas aos cuidados de saúde. As particularidades de um hospital psiquiátrico com doentes demenciadosconference paper